A Diretoria Nacional de Campanha de Fernando Dias da Costa repudiou e condenou o rapto de dois cidadãos, membros do Movimento Revolucionário “Pó di Terra”, atribuindo a responsabilidade política do ato ao Alto Comando Militar.
Numa nota divulgada este domingo, 25 de janeiro, a estrutura de campanha de Dias acusa as autoridades de facto de estarem a instaurar um clima de medo e insegurança generalizada no país desde a tomada do poder ocorrida a 23 de novembro.
No comunicado, a campanha de Fernando Dias sustenta que a Guiné-Bissau mergulhou “numa onda de terror e numa espiral de violência absolutamente repugnantes”, denunciando práticas que considera incompatíveis com qualquer Estado de Direito. A Diretoria afirma que “cidadãos indefesos são sequestrados por exprimirem posições contrárias às dos militares golpistas”, ao mesmo tempo que “manifestações e vigílias pacíficas são reprimidas com a mais brutal violência” e que pessoas inocentes “são espancadas e até assassinadas sem quaisquer consequências para os autores desses crimes”.
A Diretoria Nacional considera que estes atos revelam uma estratégia deliberada de intimidação política e de silenciamento das vozes críticas. Para a Diretoria, a repressão exercida pelo Alto Comando visa criar um ambiente de medo permanente, capaz de desmobilizar a sociedade e impedir a livre expressão das opiniões divergentes.
Face a este cenário, a Diretoria Nacional de Campanha exige a libertação imediata dos dois cidadãos sequestrados e reclama o fim de todas as formas de intimidação e repressão política contra a população. “É preciso dizer ao autodenominado Alto Comando que os guineenses não são parvos”, sublinha a nota, acrescentando que a população compreende perfeitamente o que está em causa no atual contexto político.
No mesmo documento, afirma que as verdadeiras intenções das autoridades militares são claras para todos e que, por isso, “não vale a pena continuar a tentar camuflar a verdade com pretextos patéticos”. A Diretoria sustenta que a retórica oficial não consegue ocultar a realidade de um poder imposto pela força e sustentado pela violência.
A estrutura política de Fernando Dias dirige ainda um apelo à Comunidade Internacional, em particular à CEDEAO, para que assuma as suas responsabilidades e faça cumprir as decisões adotadas pela Conferência de Chefes de Estado e de Governo. Segundo a campanha, chegou o momento de passar das declarações à ação concreta, com vista à restauração da democracia e da estabilidade na Guiné-Bissau.
“É hora de agir para restaurar a democracia e a estabilidade no país”, frisa a nota, que convoca igualmente o povo guineense a resistir ao regime imposto pela força e a defender os interesses superiores da nação. Para a Diretoria, a mobilização cívica continua a ser essencial para contrariar a normalização da violência política.
A campanha conclui sublinhando que “o povo guineense aspira à paz, à estabilidade política e ao desenvolvimento” e que não se vergará perante aquilo que classifica como arbitrariedades do autodenominado Alto Comando Militar. A mensagem final reafirma a convicção de que a violência e o terror não conseguirão silenciar a vontade popular.