A Diretoria Nacional de Campanha de Fernando Dias da Costa denunciou este domingo, 1 de fevereiro, o que classifica como uma tentativa de golpe de Estado em curso na Guiné-Bissau e rejeitou categoricamente qualquer processo de transição política imposto fora do quadro democrático. No comunicado divulgado, a campanha exige o respeito integral pela vontade popular expressa nas urnas nas eleições presidenciais de 23 de novembro de 2025.
Na nota, a Diretoria recorda que, no dia 30 de janeiro de 2026, graças à mediação da CEDEAO com o apoio do Senegal, foi possível assegurar a transferência do Presidente da Assembleia Nacional Popular, Domingos Simões Pereira, da esquadra policial para a sua residência. O mesmo processo permitiu ainda o regresso de Fernando Dias da Costa à sua casa, depois de um período sob proteção na Embaixada da Nigéria, em Bissau.
Para a campanha de Fernando Dias, este desenvolvimento não representa, contudo, uma verdadeira libertação. “Esta mudança não significa liberdade”, sublinha o comunicado, acrescentando que Domingos Simões Pereira “continua privado dos seus direitos, agora sob um regime de detenção arbitrária em sua própria casa, sem qualquer fundamento legal ou mandato judicial”. A Diretoria considera que a situação configura uma clara violação do Estado de Direito.
No documento, a campanha afirma que a prisão de Domingos Simões Pereira, que já se prolongou por mais de dois meses, constitui um ato de perseguição política por parte dos autores do golpe. Segundo a nota, esta perseguição é motivada pelo resultado eleitoral alcançado pelo Presidente eleito e pelo receio do impacto da sua liderança no atual xadrez político nacional. “A sua prisão é um ato deliberado de repressão política”, lê-se.
A Diretoria Nacional de Campanha rejeita de forma veemente qualquer tentativa de formação de um chamado “governo de transição” que não resulte da vontade soberana do povo e que seja imposto pela força das armas. Para a campanha, qualquer solução construída fora do sufrágio popular carece de legitimidade política e jurídica.
No comunicado, a Diretoria reafirma que Fernando Dias da Costa é o vencedor das eleições presidenciais de 23 de novembro de 2025, resultados que, segundo sustenta, foram validados pela CEDEAO, pela União Africana e pela comunidade internacional. Nesse sentido, sublinha que “qualquer solução que não passe pelo reconhecimento deste resultado e pelo seu imediato empossamento é ilegítima e inaceitável”.
A campanha denuncia ainda que a chamada transição anunciada pelas autoridades militares não só desrespeita a vontade dos guineenses, como ignora as decisões emanadas das Cimeiras da CEDEAO realizadas a 27 de novembro e a 14 de dezembro de 2025. Para a Diretoria, estas resoluções continuam plenamente válidas e devem ser cumpridas sem ambiguidades.
Entre as exigências apresentadas, a Diretoria Nacional de Campanha reclama a manutenção da força militar da CEDEAO na Guiné-Bissau, a ESSMGB, bem como a disponibilização imediata de dispositivos de segurança aos principais dirigentes e apoiantes da candidatura do Presidente eleito. Exige igualmente a libertação imediata e incondicional de Domingos Simões Pereira e de todos os presos políticos, com garantias efetivas da sua segurança e da sua plena liberdade de ação política.
“A nossa luta é pela democracia, pela legitimidade e pela dignidade do povo guineense”, conclui a nota, acrescentando que a campanha não descansará enquanto a vontade expressa nas urnas não for plenamente restaurada e respeitada.