Guiné-Bissau: COLIDE-GB alerta para transição política atípica

O Partido Convergência Nacional para Liberdade e Desenvolvimento (COLIDE-GB) insiste na iniciativa do Diálogo Inclusivo Nacional como meio de “assegurar a gestão do país, durante uma fase de transição e permitir que todos os guineenses, se sentem à mesa para, em consensos alargados, para definir e adoptar uma agenda nacional para a saída da crise em que o país foi mergulhado”.

A proposta do COLIDE-GB consta no Comunicado à Imprensa tornado público este sábado, 22 de Março, no qual a formação política dirigida por Juliano Fernandes ressalta que o país entrou “numa situação de transição política atípica”, que de acordo com este partido da oposição “todas as decisões que têm sido tomadas, desde 28 de Fevereiro de 2025, depois do fim do mandato do Umaro Sissoco Embaló, por ele, são, não só, inconstitucionais, como podem levar, mais cedo ou mais tarde, à sua responsabilização por crime de usurpação de funções públicas, ou mesmo, por crime de alteração do estado de direito”, lê-se no documento.

“Para que as próximas eleições possam ser credíveis e garantirem a confiança dos guineenses na democracia (…) é necessária a estabilidade e a governabilidade nos termos constitucional e legalmente estabelecidos. Nenhum actor político que pretende candidatar-se a elas deve assumir responsabilidades políticas, administrativas e de gestão e nem deve ser ele a tomar quaisquer medidas e decisões que tenham, depois, repercussão nessas eleições, durante a fase de transição política em que estamos”, escreveu.

“Na justa medida em que se as próximas eleições forem realizadas de forma transparente, objectiva, isenta, credível, livre e democrática, os seus resultados serão mais fiáveis e confiáveis. E todos os aceitarão de bom grado e democraticamente. Se assim não for, nada adianta e nem vale o ex-presidente da República marcar eleições, de forma inconstitucional e ilegal, como o fez, o conselho superior da magistratura judicial estar a ser recomposto da forma ilegal, com vista a manipular as eleições no supremo tribunal de justiça, como o regime, ilegítimo, está a tentar forjar e fazer”, vincou, afiançando que caso for forjada “a continuação inconstitucional e ilegítima, no poder pelo ex-presidente da república que ainda ocupa o palácio da república, por via da força”, os resultados dessas eleições “serão roubados e manipulados, para manter no poder o actual ex-presidente, o seu governo e os seus apoiantes”.

O COLIDE-GB, que não tem representação parlamentar, é da opinião que “os próximos anos significarão o prolongamento e o agravamento da instabilidade política e socioeconómica da Guiné-Bissau, a ingovernabilidade da nossa terra, o espezinhamento dos direitos, liberdades e garantias fundamentais, o desmoronamento dos pilares do estado de direito democrático, a pobreza, a divisão da sociedade guineense, baseada em critérios religiosos e étnicos”, lê-se no comunicado.

Mamandin Indjai

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