O Colectivo da Sociedade Civil da Guiné-Bissau na Europa, nas Américas e em África apelou o chefe de Estado francês Emmanuel Macron manter uma postura coerente e proceder “à retirada imediata da Legião de Honra atribuída a Umaro Sissoco Embaló”.
Este pedido consta numa missiva endereçada a Emmanuel Macron, datada a 25 de Fevereiro, à qual e-Global teve acesso esta quinta-feira, 27. No documento, o colectivo acusa Umaro Sissoco Embaló de estabelecer na Guiné-Bissau “um regime autoritário marcado pela repressão brutal da oposição, violações sistemáticas de direitos fundamentais e ataques directos às instituições democráticas do nosso país”.
“Essas práticas não se limitam mais às fronteiras do nosso país, na própria França, cidadãos guineenses foram violentamente atacados pelos homens de Embaló, sob o olhar dos serviços de inteligência franceses, na véspera da apresentação da Legião de Honra por elementos de sua segurança presidencial. Estes atacaram violentamente membros da diáspora bissau-guineense durante uma reunião organizada pela Embaixada da Guiné-Bissau em Paris, onde Umaro Sissoco estava presente”, denunciou o Colectivo.
Para o Colectivo da Sociedade Civil na diaspora “esta agressão indizível em solo francês, um Estado de direito, não pode ficar sem consequências e ilustra mais uma vez a natureza brutal e autoritária” do regime de Umaro Sissoco Embaló.
“Um indivíduo responsável, especialmente após tais actos, mesmo que ele desrespeite os valores dos direitos humanos em solo francês, é uma afronta insuportável às vítimas de sua tirania e um insulto à memória daqueles que lutaram pela liberdade’, lê -se.
Ao chefe de Estado francês, o Colectivo aproveitou para apontar a situação actual dos Direitos Humanos, citando o relatório da Liga Guineense dos Direitos Humanos que documenta “repetidas violações”, incluindo actos de ‘tortura, tentativas de assassinato de membros do Parlamento, advogados, ex-ministros e maus-tratos a cidadãos dissidentes”, que referiu terem sido “orquestrados” por Umaro Sissoco Embaló.
O Colectivo, que lançou uma petição online, considera que “condecorar Umaro Sissoco com a mais alta distinção” é encarado como “um total desrespeito aos cidadãos da Guiné-Bissau que vivem na França”.