A presença de vários elementos da Embaixada Russa na reunião entre o Alto Comando Militar e os membros da Comunidade Internacional residentes na Guiné-Bissau de ontem foi vista como “surpreendente” por parte de vários dos presentes no encontro. À saída do evento era visível o “desconforto” com a proximidade demonstrada entre Horta Inta-A, Presidente de Transição, e vários elementos da delegação russa presentes.
“Podemos ter estado a fazer uma leitura errada destas últimas semanas, sem perceber a verdadeira mão oculta na origem do Golpe de Estado”, referiram diplomatas presentes na reunião.
Horta Inta-A, agora Presidente de Transição, integrou no passado recente as delegações que visitaram a Rússia durante os encontros mantidos por Umaro Sissoko Embaló, o Presidente por ele deposto, com Vladimir Putin, em 2024. Horta foi também o responsável também pela renegociação de contratos de armamento russo para equipar as Forças Armadas da Guiné-Bissau e pela formação de quadros militares guineenses junto do Exército russo, iniciativas desenvolvidas nos últimos anos.
“A ligação de Horta à Rússia sempre foi conhecida. O que é agora preocupante é o facto de enquanto responsável pelo Golpe de Estado que depôs Embaló, Horta Inta-A estar a dar sinais de procurar apoio da Rússia para conseguir manter-se no poder para lá do período da estabelecido na Carta de Transição”, refere fonte guineense conhecedora do dossier de política externa da Guiné-Bissau.
Recorde-se que Horta Inta-A pretende avançar para a candidatura nas eleições presidenciais de 2026, apesar de tal ser proibido pela Carta de Transição. No entanto, o mesmo documento abre a porta para a alteração das condições das candidaturas. A Horta Inta-A falta apenas o apoio para fazer face ao esperado aumento da pressão da CEDEAO, que quer impor às autoridades de Bissau o regresso do presidente deposto Embaló. Se a corda esticar, o Presidente de Transição Horta Inta-A pode mesmo avançar para a ruptura com a CEDEAO e com o próprio Embaló, de quem também se espera uma candidatura às presidenciais de 2026.