Guiné-Bissau: Horta Inta-A sem dinheiro para salários

A Guiné-Bissau irá confrontar-se, já a partir de janeiro próximo, com a falta de fundos para o pagamento de salários, reconheceu em reunião à porta fechada o Presidente da República de Transição Horta Inta-A. Neste momento, resolver o problema da escassez no Tesouro guineense é a única prioridade das Autoridades de Transição, que querem a todo o custo evitar uma revolta popular que coloque em causa todo o processo iniciado com o Golpe de Estado.

Horta Inta-A e o Ilídio Tê, Primeiro Ministro de Transição e que acumula a pasta das Finanças, foram já informados que a CEDEAO e outras organizações internacionais se preparam para impor duras sanções financeiras ao país, privando a Guiné-Bissau dos fundos orçamentais necessários para o pagamento de salários na função pública. A ordem, dada ontem por Inta-A, é para que todos os membros do Governo, incluindo o Primeiro Ministro, se desdobrem em contatos, de forma a conseguir, pelo menos, pagar os salários até março.

É precisamente devido a esta urgência de falta de fundos no Tesouro guineense que Horta Inta-A terá cedido à CEDEAO e proposto um período de transição de apenas três meses com eleições já em março. Em troca, Inta-A pretende garantir que eventuais sanções não iriam afectar os pagamentos dos funcionários públicos, nem obstáculos à sua candidatura presidencial.

No entanto, fonte na CEDEAO refere a desconfiança para com a capacidade guineense de realizar eleições em tão curto espaço de tempo, temendo-se que após uma eventual libertação dos fundos orçamentais para os funcionários públicos, o processo eleitoral venha a ser de novo adiado pelas autoridades guineenses para depois da época das chuvas (novembro de 2026), como inicialmente defendido na Carta de Transição de Horta Inta-A.

Assim, a CEDEAO quer ver sinais de boa fé por parte das autoridades guineenses, nomeadamente a libertação dos presos políticos no país e garantias de retorno à ordem constitucional e da realização da segunda volta das eleições presidenciais, sob pena de avançar com as pesadas sanções económicas actualmente em preparação que irão afectar toda a população guineense.

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