Os jornalistas e apresentadores da Rádio Djumbai foram suspensos até nova ordem, soube o CNEWS esta quinta-feira, 22 de janeiro, através de uma fonte próxima do proprietário do órgão de comunicação social privado. A decisão terá sido comunicada internamente sem uma explicação formal detalhada, mas com a indicação clara de que se trata de uma orientação vinda do poder.
“Há uma ordem para suspender os jornalistas, incluindo o diretor, até nova ordem”, afirmou a fonte, acrescentando que, embora não tenham sido explicitados os fundamentos de forma oficial, “o poder não quer críticas”. A mesma fonte reconheceu que existe um ambiente de pressão crescente sobre os conteúdos editoriais considerados desfavoráveis às autoridades.
A Rádio Djumbai pertence ao antigo primeiro-ministro Braima Camará, líder de uma das alas do MADEM-15, formação política que nas últimas eleições apoiou Umaro Sissoco Embaló na sua tentativa de reeleição. O contexto político em que a decisão surge reforça as suspeitas de que a suspensão poderá estar relacionada com a linha editorial adotada recentemente pela estação.
Num dos seus programas de música e informação, um apresentador conhecido como “Isnaba” comentou publicamente a denúncia de Siga Batista, que afirmou estar a ser alvo de perseguição por parte do primeiro-ministro do Governo de Transição, Ilídio Vieira Té. Durante a emissão, o animador utilizou a música do grupo Cientistas Realistas, intitulada “Mindjor bo disiste” (Melhor é desistirem), acrescentando que “Siga Batista não desistirá”, comentário interpretado como uma crítica implícita ao poder.
Segundo a mesma fonte, “há um aviso do regime sobre os conteúdos que a rádio emite e que vão contra o poder”. Ainda assim, sublinhou que não pode afirmar com total certeza que a suspensão tenha sido diretamente motivada pela intervenção de Isnaba, apesar de admitir que “as ações coincidiram no tempo”, o que reforça a perceção de ligação entre os factos.
A decisão afeta tanto jornalistas como apresentadores dos programas, ficando a rádio, para já, apenas com técnicos responsáveis pela animação musical, sem conteúdos informativos ou jornalísticos. Esta limitação altera de forma significativa o perfil editorial da estação e reduz drasticamente o seu papel informativo junto da população.
“Não sei quando a situação poderá ser resolvida, mas espero que não demore, porque afetou seriamente o funcionamento e a performance que a rádio vinha a ter na sociedade”, lamentou a fonte, acrescentando que a suspensão representa um retrocesso para a liberdade de expressão e para o pluralismo mediático no país.
e-Global / CNEWS