Guiné-Bissau: Mário Fambé acusa CNE de fraude e denuncia manipulação militar persistente

A candidatura de Fernando Dias rejeita de forma categórica as alegações da CNE e promete exigir a reconstituição integral dos apuramentos

A precipitada deliberação do Secretariado Executivo da CNE sobre o encerramento do processo eleitoral, suspenso após o suposto golpe de 26 de Novembro, representa apenas o início de uma longa disputa em torno das eleições gerais do dia 23.

A equipa da campanha de Fernando Dias, por intermédio do seu Diretor, Mário Fambé, declarou publicamente que considera sem validade e sem efeito a posição anunciada pelo Secretariado da CNE, que afirma ser totalmente impossível retomar o processo devido à alegada vandalização da instituição por indivíduos encapuçados. Para Fambé, as atas não constituem qualquer obstáculo, uma vez que todas as entidades envolvidas, incluindo observadores internacionais, já possuíam cópias. Sublinhou que o apuramento regional estava praticamente concluído e defendeu que a única solução é divulgar os resultados e declarar Fernando Dias vencedor das eleições.

Numa reação em vídeo divulgada no mesmo dia em que responsáveis da CNE prestaram declarações à imprensa, Fambé afirmou que intervinha enquanto Diretor de Campanha para tranquilizar a população “perante o aparecimento da CNE”. Acrescentou que os apoiantes deveriam começar a festejar, afirmando que Fernando Dias é Presidente e irá tomar posse, frisando que quem deseja chefiar o país deve concorrer. Segundo ele, neste momento a equipa já reflete sobre os preparativos para a tomada de posse.

Ao voltar a centrar críticas sobre a CNE, Fambé afirmou que os membros do Secretariado se limitaram a relatar que foram sequestrados e agredidos. Considerou inaceitável que se proclame um Estado de Direito enquanto se assaltam instituições, sequestram funcionários, retiram pertences e até desviam setenta milhões de francos CFA como alegadamente ocorreu na Comissão. Acrescentou que os responsáveis pelo ato não seriam militares republicanos, mas sim milícias leais a Sissoco Embaló, e disse que não permitirão que o bom nome das Forças Armadas seja manchado.

Fambé classificou várias das afirmações da CNE como falsas e garantiu que o computador central, dado como destruído, se encontra intacto. Insistiu que não cabe à Comissão anular eleições, função que atribuiu ao Supremo Tribunal de Justiça, e que a candidatura não equaciona sequer discutir a validade do pleito. Acrescentou que alguns pretendem encontrar um bode expiatório para justificar derrotas e afirmou que Dias deve assumir a Presidência, sendo posteriormente avaliado pelos cidadãos ao final de cinco anos.

Num comentário direcionado ao General Horta Inta-A, Fambé declarou que quem aspira presidir a República deve abandonar a farda e pedir votos, lembrando que o país vive no século XXI e não pode aceitar que se pense em golpes para alcançar o poder. Criticou de novo a afirmação da CNE de que não possui as atas, referindo que todas as instituições e observadores as detêm, assim como o Ministério Público, a Polícia Judiciária e todos os membros da plenária. Realçou que as atas permanecem nas CRE e que com base nelas o processo pode ser concluído. Disse esperar que Mpabi Cabi e a sua equipa não apresentem justificações que a candidatura não aceitará.

Advertiu ainda que, se os membros do Secretariado tiverem compromissos ocultos, devem saber que tal estratégia é ineficaz. Questionou também como a CNE teria avançado para uma conferência de imprensa sem consultar a plenária, o que, no seu entender, torna essa comunicação totalmente inválida. Reiterou o respeito pela figura de Mpabi Cabi e pediu que este não subestime a memória coletiva. Por fim, anunciou que a equipa técnica de Fernando Dias será orientada a divulgar todas as atas para que a opinião pública nacional e internacional possa formar o seu próprio juízo.

Balantas em linha de mira

Na parte final da sua intervenção, Mário Fambé concentrou críticas no grupo étnico balanta. Afirmou que muitos teriam sido manipulados por Umaro Sissoco Embaló, que simultaneamente os acusaria de violência.

Declarou que lhe custa compreender os balantas que integram as Forças Armadas, referindo que, segundo ele, há quem diga que os balantas estão a destruir o país e que o próprio Sissoco Embaló teria escrito que oficiais balantas o detiveram, além de divulgar no estrangeiro que foi agredido por militares desse grupo.

Considerou injusto denegrir uma comunidade e afirmou não compreender como alguns oficiais continuam a servir os interesses do antigo Presidente. Acusou-os de terem forjado o golpe, detido militares balantas e criado divisões internas. Perguntou se Sissoco terá verdadeiro apreço pelos balantas e questionou como um balanta protege um Malam e não um Ialá. Recordou que Koumba venceu as eleições e foi afastado por balantas, que outro dirigente foi protegido até ao fim, e que quando um balanta venceu novamente surgiram balantas para impedi-lo, observação que reforçou com evidente indignação.

Fambé terminou apelando à libertação de Daba Naualna, alegando que este terá sido acusado injustamente de preparar um golpe.

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