Eleições Guiné-Bissau: Organizações acusam Biaguê Na Ntan de encenação política grave

O Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil e o movimento cívico Frente Popular consideram que a recente reunião entre o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), General Biaguê Na Ntan, e anciãos da comunidade balanta, realizada em Cumeré a 14 de novembro de 2025, constitui “uma encenação manipuladora”. Segundo estas entidades, o encontro visou justificar a alegada tentativa de golpe de Estado que levou à detenção de vários oficiais, incluindo o Brigadeiro-General Daba Naualna e o Major Domingos Nhanque.

Num comunicado divulgado esta segunda-feira, 17 de novembro, as organizações classificam como “arbitrárias” as detenções dos militares. Relativamente às audições públicas dos detidos, afirmam tratar-se de “coação deliberada”, destinada a “legitimar atos ilegais, abusivos e atentatórios da dignidade humana”.

As organizações sublinham que, mesmo que a alegada tentativa de golpe fosse real, “deveria estar a ser investigada sob segredo de justiça”, e nunca transformada num “teatro humilhante, num julgamento popular que viola frontalmente a Constituição e deturpa a missão das Forças Armadas”. Recordam ainda que o papel dos militares é “defender a soberania e a integridade do país, e não servir de instrumento político para manipular o destino da nação”.

Segundo o comunicado, “este episódio, carregado de intenções sinistras destinadas a apoiar a reeleição do ditador Umaro Sissoco Embaló, expõe de forma clara e inequívoca a ingerência vergonhosa do General Biaguê Na Ntan na vida política”. Para as organizações, a atuação do CEMGFA demonstra “submissão absoluta a uma agenda autoritária que sufoca a democracia, espezinha direitos fundamentais e tenta silenciar a vontade legítima do povo”.

As entidades afirmam ainda que, “de encenação em encenação de golpes, Umaro Sissoco Embaló e Biaguê Na Ntan superaram os limites do ridículo”, lembrando que “nenhum deles possui legitimidade que justifique um golpe de Estado às portas das urnas”.

“Espetáculo de propaganda”

O Espaço de Concertação da Sociedade Civil e a Frente Popular condenam “a orquestração de mais um espetáculo de propaganda”, acusando Biaguê Na Ntan de transformar “cidadãos detidos em instrumentos de manipulação pública, em flagrante violação dos seus direitos, liberdades e garantias”. Repudiam ainda “as reiteradas interferências políticas do General Biaguê Na Ntan”, que, segundo as organizações, demonstram “subserviência total ao ditador Umaro Sissoco Embaló e à sua estratégia de capturar instituições e sufocar a vontade popular”.

A sociedade civil adverte “com firmeza” que o povo guineense “não permitirá, em circunstância alguma, que Biaguê Na Ntan ou qualquer outro agente tente sequestrar a vontade soberana dos cidadãos no dia 23 de novembro de 2025”. As organizações responsabilizam o CEMGFA pelos “efeitos e consequências dos seus atos ilegais”, acusando-o de assumir “sem pudor o papel de diretor de campanha do Presidente cessante”.

Por fim, exortam “todos os efetivos das Forças Armadas” a rejeitarem “ordens ilegais, injustas ou contrárias à Constituição”, especialmente aquelas destinadas a “distorcer ou manipular a vontade do povo”.

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