O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) atravessa um momento de tensão interna após o anúncio, por parte de um Grupo de Reflexão, da realização do XI Congresso em datas distintas das previstas pela direção oficial do partido.
O Grupo de Reflexão anunciou a marcação do congresso para 9 e 10 de maio de 2026, enquanto a Direção Superior do PAIGC sustenta que apenas o Comité Central tem competência estatutária para convocar o encontro.
As duas posições foram tornadas públicas através de notas separadas, uma emitida pela Direção e outra pelo Grupo de Reflexão, evidenciando interpretações divergentes quanto ao calendário e aos procedimentos internos que regem a organização do congresso.
Em nota informativa divulgada esta terça-feira, 18 de março, e assinada pelo Secretário Nacional, António Patrocínio Barbosa da Silva, o Secretariado Nacional reafirma que o PAIGC “tem apenas uma liderança” e que os seus órgãos superiores se encontram em pleno funcionamento.
O documento sublinha ainda que, nos termos dos artigos 31.º e seguintes dos Estatutos, “compete exclusivamente ao Comité Central convocar o Congresso e constituir a respetiva Comissão Nacional Preparatória”.
A Direção advertiu que apenas as informações divulgadas pelos canais oficiais vinculam o partido, desvalorizando outras comunicações, que classifica de “panfletos” sem legitimidade institucional.
Por sua vez, o Grupo de Reflexão informou, numa nota tornada pública no início da semana, que decidiu avançar com a marcação do XI Congresso para 9 e 10 de maio, admitindo, no entanto, a possibilidade de antecipação em função da evolução do contexto político e organizacional.
O grupo justifica a iniciativa com a necessidade de defender os “superiores interesses do Partido”, comprometendo-se com princípios de transparência, inclusão e respeito pelas normas internas, e reiterando a sua disponibilidade para contribuir para o fortalecimento institucional da organização.
Esta divergência surge num momento particularmente sensível para o PAIGC, que celebra 70 anos de existência e mantém como prioridades políticas a libertação do seu presidente, Domingos Simões Pereira, e o retorno à normalidade constitucional na Guiné-Bissau.