O Presidente da República da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, declarou esta segunda-feira, 23 de Junho, que o país está disponível para proceder à retirada dos seus cidadãos actualmente residentes na zona de conflito no Médio Oriente, face à escalada das hostilidades entre Israel e o Irão.
A declaração foi feita à margem de uma visita às instalações do novo parque de Transportes Urbanos de Bissau e Centro de Pesagem da UEMOA. Segundo Sissoco Embaló, embora ainda não haja pedidos formais, as autoridades estão preparadas para agir caso algum cidadão guineense manifeste vontade de abandonar o território iraniano ou israelita.
“Se houver guineenses que queiram sair [do Irão ou de Israel], temos condições para o fazer. Por agora, não recebemos indicações nesse sentido”, afirmou o Chefe de Estado, expressando a sua “profunda preocupação” com o agravamento da situação de segurança na região.
Nos últimos dias, a Rádio Sol Mansi noticiou que cerca de 70 cidadãos guineenses residentes no Irão apelaram ao Estado guineense para que sejam tomadas medidas concretas com vista à sua evacuação, “antes que a situação piore ainda mais”. Os apelos surgem numa altura em que os confrontos militares e os bombardeamentos se intensificam, aumentando o risco para populações estrangeiras.
Sissoco Embaló garantiu ainda que a Guiné-Bissau está disposta a activar os seus canais diplomáticos e encetar contactos com as autoridades israelitas e iranianas para proteger os interesses dos seus cidadãos. A possibilidade de colaboração com países africanos vizinhos e parceiros internacionais em eventuais operações de evacuação não foi descartada.
A tensão no Médio Oriente agravou-se nas últimas semanas após uma série de ataques mútuos entre o Irão e Israel, e envolvimento dos Estados Unidos, com implicações geopolíticas de grande escala e receios de alastramento do conflito a outros países da região.
Mamandin Indja