RSF denuncia “brigadas de monitorização” e agressões a jornalistas na Guiné-Bissau

A organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou esta segunda-feira, 4 de Agosto, a crescente deterioração da liberdade de imprensa na Guiné-Bissau, num contexto que classifica como “alarmante” para a segurança dos jornalistas.

Em declarações públicas, Sadibou Marong, director do escritório da RSF para a África Subsaariana, alertou que “a segurança dos jornalistas foi posta à prova” nos últimos anos, sublinhando que “indivíduos armados” invadem regularmente as instalações de órgãos de comunicação social, chegando, por vezes, “a saqueá-los”.

Segundo o responsável, em 2024 foram criadas “brigadas encarregadas de monitorar os programas de rádio e de prender pessoas consideradas insultuosas”. Estas estruturas, que RSF considera ilegais e intimidatórias, terão como objectivo condicionar o trabalho jornalístico e silenciar vozes críticas.

A denúncia surge na sequência da violenta agressão contra Waldir Araújo, correspondente da Rádio e Televisão Portuguesa (RTP) na Guiné-Bissau há cinco anos. O jornalista foi atacado na noite de 27 de Julho, enquanto realizava uma reportagem sobre uma rotunda em Bissau, acompanhado por colegas.

De acordo com o testemunho de Waldir Araújo, três a quatro indivíduos espancaram-no violentamente, acusando-o, bem como à RTP, de “manchar a imagem da Guiné-Bissau no exterior”. O jornalista sofreu ferimentos no rosto e teve bens pessoais roubados, incluindo o telemóvel.

A organização exige uma investigação urgente ao caso e alerta para um ambiente repressivo e hostil à comunicação social, sobretudo em contexto pré-eleitoral, numa altura em que se aguarda a confirmação oficial da eleição presidencial prevista para Novembro.

“Este [Presidente] mantém relações tensas com a mídia e chegou a chamar os jornalistas de bocas de aluguer”, recorda a RSF, referindo-se ao Chefe de Estado Umaro Sissoco Embaló, candidato à sua própria sucessão.

Além da repressão, a organização denuncia o estrangulamento económico dos meios de comunicação, agravado pela imposição de taxas “exorbitantes” cobradas pelo Estado, especialmente aos órgãos audiovisuais.

“Com receitas publicitárias e vendas de jornais muito baixas, as autoridades continuam a impor o pagamento de taxas exorbitantes aos meios de comunicação. Isso contribuiu para desenvolver a autocensura e comprometer a qualidade editorial da informação”, afirmou Sadibou Marong.

Repórteres Sem Fronteiras conclui que a liberdade de imprensa na Guiné-Bissau enfrenta uma grave ameaça, num contexto onde jornalistas são perseguidos, mal pagos e sujeitos a vigilância, violência e censura.

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