A demora na nomeação de um novo Primeiro-Ministro na Guiné-Bissau poderá estar relacionada com uma tentativa do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, de forjar uma nova aliança política em torno da sua agenda de política, que inclui a intenção já anunciada de se candidatar a um segundo mandato presidencial.
Segundo uma fonte próxima do processo negocial para a formação do novo Executivo, Embaló terá entregue um documento aos líderes dos principais partidos guineenses, no qual manifesta o interesse em criar uma nova coligação eleitoral. A mesma fonte revelou à e-Global que o Chefe de Estado pretende que este acordo político tenha uma duração de, pelo menos, duas décadas.
De acordo com esse documento, está em cima da mesa a extinção de dezenas de pequenos partidos actualmente aliados a Embaló, que teriam como alternativa a integração em forças políticas maiores, como o MADEM-G15, o PRS, o PTG e a APU-PDGB. Em contrapartida, esses partidos menores poderiam ser incluídos nas listas de candidatos a deputados nas eleições legislativas agendadas para 23 de Novembro deste ano.
A mesma fonte acrescenta que, para além de garantir a sua recandidatura à presidência, Umaro Sissoco Embaló pretende influenciar a composição da próxima legislatura, visando uma revisão constitucional que possa, numa primeira fase, alterar o sistema político para um regime presidencialista.
Neste momento, os partidos visados estão a analisar a proposta presidencial, sendo esperadas respostas e declarações públicas nas próximas horas por parte das lideranças do MADEM-G15, PRS, PTG e APU-PDGB.
Entretanto, permanece a dúvida sobre se esta manobra poderá atrasar ainda mais a nomeação de um novo Primeiro-Ministro. Nos bastidores, circula com insistência o nome de Braima Camará, coordenador nacional de uma das alas do MADEM-G15, como o provável escolhido para o cargo.
Recorde-se que os partidos MADEM-G15, PRS, PTG e APU-PDGB estão actualmente distribuídos por duas coligações eleitorais distintas: a Aliança Política Inclusiva (API) Cabas-Garandi e a Plataforma Republicana. A nova coligação proposta por Embaló implicaria a dissolução destas plataformas, reorganizando o xadrez político guineense em torno da figura presidencial.
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Mediocricidade política do homem político guineense