O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) da Guiné-Bissau divulgou a lista provisória dos candidatos às eleições presidenciais de novembro, contendo 15 nomes, dos quais dois foram rejeitados e um desistiu do processo eleitoral.
O documento, datado de 10 de outubro e ao qual o e-Global teve acesso esta segunda-feira (13.10), apresenta os candidatos admitidos, rejeitados e desistentes, mas não faz qualquer menção à candidatura de Domingos Simões Pereira (DSP), líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e da Coligação PAI-Terra Ranka, vencedora das últimas eleições legislativas.
Entre os candidatos admitidos figuram nomes com forte expressão política, como Umaro Sissoco Embaló, Fernando Dias e José Mário Vaz, todos apoiados por coligações ou formações com peso no cenário nacional.
A ausência do nome de Domingos Simões Pereira da lista provisória provocou forte tensão política e um silêncio prolongado do Supremo Tribunal, que levou o líder do PAIGC a fixar um ultimato até terça-feira, 14 de outubro, exigindo uma resposta clara sobre a sua candidatura.
Paralelamente, o PAIGC convocou uma reunião do Bureau Político para o mesmo dia, com o objetivo de analisar a “situação política vigente no país”, num momento de elevada crispação entre a oposição e o poder, e quando mais se clarifica a exclusão de DSP do processo.
Segundo uma fonte partidária contactada pelo e-Global, durante o encontro, a direção dos “Libertadores” deverá preparar uma resposta oficial aos dirigentes do PAIGC integrantes do Governo de Iniciativa Presidencial, que responsabilizam Domingos Simões Pereira pela exclusão do PAIGC e da coligação PAI-Terra Ranka do escrutínio de novembro.
O impasse em torno da candidatura de Domingos Simões Pereira ocorre num ambiente de crescente desconfiança política, a poucas semanas do início da campanha eleitoral. Analistas consideram que o posicionamento do Supremo Tribunal será determinante para definir a legitimidade e a transparência do processo eleitoral.
Mamandin Indjai