O Governo de Moçambique impediu recentemente a entrada no país de três humoristas – o angolano Gilmário Vemba, o português Hugo Sousa e o brasileiro Murilo Couto – que tinham previsto um espetáculo em Maputo. Segundo o diretor‑geral do Serviço Nacional de Migração (Senami), Zainedine Danane, o grupo tentou entrar com visto de turismo, quando na verdade se destinava a realizar uma atividade cultural remunerada, o que contraria a lei de migração vigente desde 2023.
Os artistas e a produção chegaram ao Aeroporto Internacional de Maputo por volta das 14h locais e permaneceram retidos durante horas antes de serem impedidos de entrar no país. O espetáculo, marcado para o Centro Cultural China Moçambique e com lotação esgotada, foi cancelado, e os bilhetes foram reembolsados aos espectadores.
O grupo regressou a Portugal na manhã seguinte, num voo da TAP.
O Senami esclareceu que o promotor do evento deveria ter solicitado uma credencial cultural junto das autoridades moçambicanas, essencial para emitir um visto apropriado ao evento. Sem essa credencial, a atuação não foi autorizada, configurando uma violação aos critérios de imigração e cultura do país.
Em Portugal, o Ministério dos Negócios Estrangeiros já solicitou esclarecimentos ao Senami e ao Consulado em Maputo sobre o ocorrido. O caso suscitou também acusações políticas: um membro da entourage associada ao ex-candidato Venâncio Mondlane alegou que a recusa estaria ligada às opiniões expressas por Gilmário Vemba, embora não haja confirmação oficial dessa motivação.