A Amnistia Internacional apelou ao Governo de Moçambique para acabar com a violenta repressão pós-eleitoral antes da marcha agendada para esta quinta-feira, 07 de novembro, em Maputo, respeitando os direitos de todos à liberdade de expressão.
Para esta organização não governamental, a crise que está a decorrer em Moçambique “é a pior repressão dos últimos anos contra os protestos no país”. Isto porque, lembrou, a polícia local já matou “mais de 20 pessoas e feriu ou prendeu centenas de outras”.
“As últimas duas semanas em Moçambique foram marcadas por um derramamento de sangue completamente desnecessário, uma vez que as autoridades tentaram parar um movimento de protesto pacífico com força letal”, lê-se ainda no comunicado divulgado.
Recorde-se que os protestos ganharam força após o anúncio da Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Moçambique, a 24 de outubro, que atribuiu a vitória a Daniel Chapo, apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) na eleição para a Presidência da República, com 70,67% dos votos.
Os movimentos de contestação foram desencadeados pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane, que terá ficado em segundo lugar (20,32%), de acordo com a CNE, mas que não reconheceu os resultados. Estes ainda têm de ser validados e proclamados pelo Conselho Constitucional.