O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, defendeu na passada segunda-feira, em Maputo, uma nova abordagem para a gestão dos recursos hídricos, considerando a segurança hídrica um eixo central para o desenvolvimento sustentável, a estabilidade e a resiliência climática do país.
O Chefe de Estado falava durante o lançamento do PROÁguaS – Compacto Nacional de Segurança Hídrica 2026-2036, programa que pretende transformar o sector das águas e saneamento ao longo da próxima década. Segundo Daniel Chapo, a água deve ser encarada não apenas como um recurso natural, mas como “um activo estratégico da soberania, da resiliência climática e do desenvolvimento sustentável”.
Durante a sua intervenção, o Presidente alertou para os desafios estruturais enfrentados por Moçambique no acesso à água potável e ao saneamento. Actualmente, a cobertura nacional de abastecimento de água situa-se em cerca de 62,6%, enquanto o saneamento alcança apenas 38,2% da população. Nas zonas rurais, a cobertura de saneamento é ainda mais reduzida, rondando os 24,6%.
Daniel Chapo destacou também os impactos das mudanças climáticas, apontando secas, cheias e ciclones como fenómenos que agravam a insegurança hídrica no país. O estadista afirmou que o crescimento populacional previsto até 2036, estimado em cerca de 45 milhões de habitantes, exigirá maior capacidade de produção agrícola, expansão de infra-estruturas e reforço do abastecimento de água.
O PROÁguaS prevê mobilizar aproximadamente 4,593 mil milhões de dólares para elevar a cobertura de abastecimento de água para 75% até 2036, aumentar o acesso ao saneamento para 60% e reduzir progressivamente a defecação ao ar livre. Entre as principais obras previstas estão a construção e reabilitação de grandes barragens, pequenas infra-estruturas de retenção de água, sistemas de monitorização hídrica e expansão das redes de abastecimento e saneamento.