Moçambique continua muito dependente de importações, principalmente de produtos alimentares, o que traz fortes constrangimentos estruturais da economia nacional, causando impactos diretos na balança comercial, nas reservas de divisas e na estabilidade cambial.
Esta é a avaliação feita pelo economista Élio Cossa, citado pelo jornal “O País”. De acordo com o próprio, o país vive há vários anos um défice crónico da balança comercial, marcado por um padrão recorrente de importações superiores às exportações.
O economista explicou que o facto de Moçambique importar grande parte dos bens de consumo essenciais implica um consumo contínuo de divisas, o que contribui para a corrosão das reservas externas e limita a capacidade de resposta da economia em momentos de maior pressão cambial.
“Quanto maior for a dependência de produtos externos, maior é a exposição do país às flutuações do mercado internacional e menor é a margem de manobra para estabilizar a moeda”, declarou Cossa.
A seu ver, as restrições às importações devem ser vistas como parte de uma estratégia mais ampla de transformação económica, orientada para a diminuição da dependência externa, o fortalecimento da produção nacional e a criação de uma base mais sólida para o crescimento sustentável de Moçambique.