O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, recebeu nesta terça-feira, em Maputo, o CEO da multinacional italiana ENI, Claudio Descalzi, num encontro que selou avanços significativos na cooperação bilateral nas áreas de energia e desenvolvimento rural.
Durante a audiência, Descalzi anunciou que a ENI obteve autorização oficial do Governo moçambicano para o Plano de Desenvolvimento do projecto Coral Norte FLNG, na Bacia do Rovuma. A nova unidade flutuante de Gás Natural Liquefeito (GNL) vai ampliar a produção na Área 4, consolidando Moçambique como um dos principais exportadores de gás em África.
O projecto Coral Sul, que iniciou a produção em 2022, contribuiu com 50% do crescimento do PIB moçambicano em 2023, segundo dados do FMI. Para este ano, as projeções indicam que o impacto poderá chegar a 70% do crescimento económico nacional, sinalizando a importância estratégica do sector energético para o país.
Além do gás, a ENI apresentou uma ambiciosa proposta de investimento na agricultura para produção de biocombustíveis sustentáveis, com potencial para criar até 120 mil empregos em áreas rurais. A empresa pretende utilizar até 150 mil hectares de terras agrícolas para essa produção, replicando modelos de sucesso já em curso em outros seis países africanos.
Também foram discutidas iniciativas no âmbito da transição energética, como o programa Cozinha Limpa — que visa reduzir o uso de lenha e carvão em áreas domésticas — e acções de compensação de carbono alinhadas com o programa REDD+.