A província de Nampula registou, de janeiro a novembro, 171 casos de corrupção, dos quais 129 foram encaminhados aos tribunais. Do total de casos, pelo menos 13 envolvem funcionários e agentes do Estado, sendo que quatro foram presos em flagrante.
O Procurador Provincial do Gabinete de Combate à Corrupção em Nampula, Aristides Maizana, que revelou os números, apontou que os setores da educação, Polícia da República de Moçambique (PRM), conselho municipal e hospitais são os que, no período em referência, mais se envolveram em atos de corrupção.
O procurador lamenta o fato de, em alguns setores do governo, a prática de corrupção ter sido normalizada. Um exemplo disso ocorre nos hospitais, onde, para se receber assistência adequada, é necessário pagar, especialmente em casos de mulheres em situação de parto.
“Só para ilustrar com o exemplo das ações preventivas, por exemplo, nos hospitais, temos que saber que quando uma mãe vai dar à luz, pensa-se automaticamente que essa atividade deve ser paga. E mais, precisamos desmistificar a ideia de que no hospital se deve pagar, pois já identificamos as características da corrupção e o que é feito para motivar as pessoas a pagarem pelos serviços.”
Apontou ainda que existem casos em que algumas pessoas detidas em flagrante delito chegam a considerar normal terem recebido ilegalmente certas quantidades de dinheiro.
A Secretaria do Estado em Nampula entende que os jovens devem assumir a liderança na luta contra a corrupção. Neste ano, o Dia da Luta contra este mal é celebrado sob o lema: “Unidos com a Juventude Contra a Corrupção: Moldando a Integridade do Amanhã.”