Moçambique: Morreu Chico António, um dos ícones da música ligeira do país

Morreu na madrugada do último sábado, 13 de janeiro, o músico moçambicano Chico António, que se encontrava internado há uma semana no Hospital Central de Maputo (HCM). O cantor natural de Magude, na província de Maputo, tinha 66 anos.

Chico António nasceu em 1958. Aos nove anos de idade, tornou-se solista num coro de 50 pessoas, onde aprendeu trompete e solfejo. Inspirado em Xidiminguana, Wazimbo, Osibisa, The Police, entre outros, no final da década de 1970, Chico trabalhou com ABC-78, Grupo Instrumental N.º 1 de música ligeira, RM e Orquestra Star de Moçambique. Marcou presença em palcos de Cabo-Verde, Guiné Conacri, Zimbabué, Dinamarca, França, Holanda, Inglaterra, Itália, Portugal, Suécia e Noruega.

O Grupo RM foi importante na sua projeção nacional e internacional. Naquele conjunto, trabalhou com alguns dos melhores artistas do país, com destaque para Alexandre Langa, Sox, Alípio Cruz (Otis), José Mucavel, José Guimarães e Mingas. Como integrante do Grupo RM, criou o tema “Baila Maria”, interpretado, em dueto, com Mingas. Em 1990, “Baila Maria” conquistou o grande prémio do concurso Descobertas, da Rádio França Internacional (RFI). No mesmo ano, e em consequência do prémio, Chico foi para Paris estudar música. Foram dois anos de formação intensiva. Teve aulas de piano, arranjos musicais e gravação. O seu tutor foi o camaronês Manu Dibango.

Em França, conviveu com personalidades como Salif Keita e Pierre Bianchi. Foi Manu Dibango quem, durante a formação, o aconselhou a concluir os estudos e a regressar à Moçambique para pesquisar e elevar os ritmos tradicionais do seu país.

Quando regressou, Chico apostou na pesquisa de música tradicional e posterior fusão. Foi nessa senda que nasceu a Amoya Studio and Art Gallery (ASAGA) e surgiram oportunidades de colaboração musical em produção audiovisual e teatrais.

Além da bolsa atribuída ao compositor, o Grupo RM teve o direito de gravar um disco. Para o efeito, o conjunto, rebatizado de “Amoya”, gravou “Cineta”, lançado em 1991, em Paris.

Chico António preferia trabalhar no apoio aos artistas, sem pretensão da fama. Esta postura explica porque é que o seu trabalho “Memórias” só ter sido lançado em 2014.

Aurélio Sambo – Correspondente

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