Cerca de 98 pessoas perderam a vida num naufrágio de um barco de pesca, ocorrido, neste domingo, ao largo da Ilha de Moçambique, na província de Nampula. A bordo seguiam 130 pessoas que alegavam estar a fugir do surto da cólera.
Segundo os sobreviventes, a embarcação ligava a cidade da Ilha de Moçambique ao posto administrativo de Lunga, no distrito de Mossuril.
A embarcação não tinha licença para transportar pessoas e seguia sobrelotada, disse Lourenço Machado, administrador do INSTRASMAR, à televisão estatal. A informação foi confirmada pela porta-voz da Polícia em Nampula, Rosa Chaúque.
“Era uma embarcação que saia de Lunga para a Ilha de Moçambique. Normalmente é uma embarcação de pesca e não estava vocacionada para o transporte de pessoas. Devido ao pânico que se propala sobre o surto de doenças diarreicas, em Lunga, as pessoas sobrelotaram o barco e houve esta tragédia”, disse o administrador da ilha, Silvério Nauaito.
A administradora marítima, Fahara Luís, que também confirmou a morte das 98 pessoas, levantou a hipótese de ondas gigantes terem fustigado a embarcação e provocado a tragédia.
De referir que esta tragédia não é um caso isolado. Recentemente, ocorreu, em Nampula, um outro naufrágio de uma embarcação à vela que provocou nove mortos e 13 desaparecidos.
Até à tarde de ontem, realizaram-se os funerais de cerca de 60 vítimas, num cemitério local na Ilha de Moçambique.
Aurélio Sambo – Correspondente