A organização de defesa dos jornalistas, MISA-Moçambique, enviou uma carta a 4 de julho ao Ministério da Defesa Nacional exigindo, com urgência, esclarecimentos sobre um incidente ocorrido no final de junho, que envolveu 16 jornalistas na região de Miangaleua, no distrito de Muidumbe.
Os profissionais estavam a viajar em missão de serviço solicitada pela Administração Nacional de Estradas (ANE), rumo ao distrito de Mueda, no norte da província de Cabo Delgado.
De acordo com um comunicado do Instituto para a Comunicação Social da África Austral – MISA Moçambique , os 16 jornalistas, representantes de diversos órgãos de comunicação social da província, foram submetidos a tortura psicológica após deixarem a vila de Macomia, onde haviam entrevistado o administrador local, Tomás Badae.
Em Miangaleua, a cerca de 70 km da sede distrital de Macomia, os jornalistas foram obrigados a regressar para prestar esclarecimentos no comando distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM) de Macomia. No local, foram forçados a ajoelhar-se, tiveram fotografias tiradas e seus equipamentos foram temporariamente confiscados pelos militares, sem qualquer justificativa legal.
Segundo o MISA-Moçambique, este episódio constitui uma grave violação à liberdade de imprensa e aos direitos dos jornalistas moçambicanos. Por isso, exige que as autoridades competentes ofereçam explicações formais.
Em uma conversa “off the record”, um dos jornalistas detidos no dia 27 de junho afirmou que, enquanto eram interrogados no comando distrital da PRM de Macomia, a província recebeu fotos e um relatório indicando que “terroristas haviam sido capturados”, entre os quais estaria “um branco”, referência à um repórter de uma televisão privada moçambicana de cor “branca”.