O Congresso norte-americano decidiu não renovar o seu apoio ao Plano de Emergência contra a SIDA, um dos principais programas mundiais de luta contra a doença. Em causa estão as controvérsias internas sobre questões relacionadas ao aborto.
Durante a 37ª Cimeira da União Africana, que decorreu em Adis Abeba, nos dias 17 e 18 de fevereiro, os Chefes de Estado africanos mostraram-se preocupados com a intenção dos congressistas de retirar o apoio anual de 1,6 milhões de dólares para combater a SIDA, em África.
O diretor do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, Jean Kaseya, anunciou que os Chefes de estado africanos vão enviar uma mensagem clara exigindo o retorno do Programa lançado em 2003.
Especialistas acreditam que o enorme progresso alcançado no continente, com muitas vidas salvas, graças ao programa de luta contra a SIDA, ficará em risco, se o programa for suspenso.
Até 2022, cerca de 20,8 milhões de pessoas, na África Oriental e Austral, viviam com HIV, segundo dados da agência das Nações Unidas (ONUSIDA), sendo que, até o momento, haver apenas 10% das necessidades de financiamento na luta contra a doença.
Recorde-se que, recentemente, nas comemorações do dia mundial da luta contra a SIDA, realizadas na capital de Moçambique, foi divulgado um estudo (INSIDA 2021) que aponta que a incidência anual de HIV entre adultos (15 ou mais anos de idade) no país foi de 0,43%. A incidência, em mulheres, foi de 0,61%, e, em homens, de 0,24%. A prevalência de HIV entre adultos em Moçambique foi de 12,5%, o que corresponde a aproximadamente 2.097.000 adultos vivendo com HIV, dados que indicam claramente uma redução, comparativamente aos dados de 2020.
Adicionalmente, o INSIDA 2021 estima que, anualmente, 4,8 novas infeções ocorrem entre 1000 pessoas de 15 a 49 anos de idade. Isto indica a necessidade de reforço das acções multissectoriais baseadas em intervenções de prevenção combinadas. Medidas como profilaxia de prevenção do HIV, circuncisão masculina, prevenção da transmissão vertical, rastreio e prevenção de tratamento de infeções de transmissão sexual, biossegurança, testagem do HIV e tratamento antirretroviral e redução do estigma e discriminação devem ser dirigidas de forma particular às populações prioritárias, como adolescentes e jovens, homens adultos e populações-chave.
De salientar que o inquérito foi financiado pelo Conselho Nacional de Combate ao HIV e SIDA, através do seu Fundo Comum e pelo Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para Alívio do SIDA (PEPFAR), com assistência técnica do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) e do ICAP da Universidade Columbia.
Aurélio Sambo – Correspondente