A redução do IRS em 2026 aumenta o rendimento das famílias de forma desigual, deixando a classe média com ganhos residuais, enquanto os mais ricos beneficiam proporcionalmente mais e os pensionistas mais pobres ganham com o aumento do Complemento Solidário para Idosos (CSI).
Segundo o Boletim Trimestral de Economia portuguesa, os 20% mais pobres veem o rendimento subir entre 1,4% e 1,7%, quase exclusivamente devido ao reforço do CSI, enquanto os escalões mais altos registam ganhos pelo desagravamento fiscal. Para a classe média, demasiado rica para apoios sociais e com rendimentos insuficientes para aproveitar totalmente a descida de taxas, o impacto é quase nulo.
O estudo conclui que a política fiscal favorece os extremos da distribuição: transferências sociais protegem os mais pobres, desagravamento do IRS beneficia os mais ricos, e a classe média continua com aumentos marginalmente significativos do rendimento disponível.