O mercado de crédito à habitação em Portugal registou em março o valor mais elevado do ano, com 2.951 milhões de euros em novos contratos, segundo o mais recente barómetro da Simplefy.
O crescimento foi impulsionado sobretudo pela procura de novos financiamentos, com o crédito sem renegociação a atingir 2.232 milhões de euros, um dos valores mais altos desde 2023. Face a fevereiro, o aumento foi de quase 34%.
A principal tendência do mercado está na preferência das famílias pela taxa mista, que já representa 81,24% dos novos contratos. A taxa variável caiu para 16,82% e a taxa fixa desceu para mínimos históricos de 1,93%.
Segundo Rui Lopes, CEO da Simplefy, esta mudança mostra que os portugueses estão mais atentos ao risco financeiro após a forte subida das taxas de juro nos últimos anos.
A taxa mista combina um período inicial com prestação fixa e uma fase posterior indexada à Euribor, permitindo maior previsibilidade no início do contrato sem perder flexibilidade futura.
Ao mesmo tempo, os juros continuam a aliviar. A taxa média dos novos créditos desceu para 2,81%, acompanhando a redução da Euribor e da taxa diretora do Banco Central Europeu.
No setor imobiliário, os preços continuam em máximos históricos. A avaliação bancária média subiu para 2.151 euros por metro quadrado, mais 16% do que há um ano. Os apartamentos atingiram 2.511 euros por metro quadrado e as moradias 1.542 euros.
Apesar da recuperação do mercado e do crescimento económico português, a confiança dos consumidores continua negativa, refletindo cautela das famílias perante a incerteza internacional e a memória recente da subida dos juros.