A falta de antidiabéticos e sensores de glicémia nas farmácias portuguesas está a agravar-se, impulsionada pelo uso destes medicamentos para a perda de peso e para controlo de desempenho desportivo.
O Infarmed refere que mais de metade das farmácias nacionais reportaram ruturas de medicamentos no ano passado, número que se mantém em 2024.
A vice-presidente da Associação de Farmácias de Portugal (AFP), Manuela Pacheco, alerta que o aumento da procura esgota rapidamente as quotas de produção, prejudicando o acesso aos doentes que realmente necessitam destes fármacos para tratar a diabetes.
Além disso, denuncia que os sensores de glicémia estão a ser vendidos e usados em ginásios, longe do contexto clínico.
Esta escassez não se limita a Portugal, sendo um fenómeno europeu.
No entanto, Manuela Pacheco salienta que as margens de lucro mais baixas no mercado nacional tornam o país menos atrativo para os fabricantes, o que agrava ainda mais o problema.
Face a esta situação, o Infarmed iniciou auditorias e inspeções em todo o circuito do medicamento, desde os fabricantes aos distribuidores, farmácias e sistema de saúde. O objetivo é verificar se está a ocorrer desvio ou prescrição abusiva, de forma a proteger o acesso a estes medicamentos por parte dos doentes que deles realmente necessitam.