Autoridades espanholas e portuguesas, com o apoio da Europol, desmantelaram uma rede criminosa dedicada à captura e comercialização ilegal de amêijoas japonesas (Ruditapes philippinarum) no rio Tejo. A operação resultou na detenção de 11 suspeitos, que terão obtido lucros superiores a 1,6 milhões de euros apenas este ano. No total, foram apreendidas mais de sete toneladas de moluscos, avaliadas em cerca de 150 mil euros.
De acordo com as investigações, o grupo criminoso utilizava documentação falsificada para introduzir as amêijoas no mercado legal, burlando os mecanismos de controlo administrativo e sanitário. Os moluscos, potencialmente contaminados, eram distribuídos em Portugal, Espanha, França e Itália, representando um grave risco para a saúde pública, já que o seu consumo pode provocar intoxicações alimentares, gastroenterite ou hepatite.
As autoridades acreditam que o esquema gerava lucros de até 2,5 milhões de euros por semana, recorrendo ao branqueamento de capitais através da compra e revenda de veículos de luxo. O caso tem ainda contornos de exploração laboral, uma vez que trabalhadores — muitos deles migrantes em situação irregular — eram obrigados a trabalhar em condições precárias, recebendo apenas um a um euro e meio por cada quilo de amêijoas recolhidas.
A investigação, iniciada em abril deste ano, culminou em várias ações realizadas em junho e julho, com a apreensão de sete veículos além das detenções. Os suspeitos enfrentam acusações de crime ambiental, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude alimentar e contra a saúde pública. A Europol assegurou apoio operacional e analítico desde o início, reforçando a cooperação entre a Guardia Civil, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e a Polícia Marítima.