Imagem: Emídio Sousa na sessão de encerramento do “Portugal Nação Global”. Foto: Agência Incomparáveis
O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, apresentou os resultados do primeiro Fórum “Portugal Nação Global”, destacando a forte adesão, o número expressivo de reuniões empresariais e o entusiasmo dos participantes, além de sublinhar o impacto concreto da iniciativa na criação de contactos empresariais e na ambição de continuidade da plataforma como instrumento estratégico de ligação global.
“Tivemos cá oitocentas e três pessoas credenciadas. Mais umas quase duzentas que não estavam credenciadas, mas que apareceram. Tivemos duzentas reuniões de negócios, envolvendo quatrocentas pessoas inscritas”, afirmou o governante, acrescentando que, ao longo dos dois dias de evento, teve a oportunidade “de informalmente ir passando pelos corredores e de perceber o que é que estava a acontecer e de falar com cada um. Vejo imensas caras satisfeitas. Vi muita gente verdadeiramente entusiasmada”.
Durante a sua intervenção de encerramento do “Portugal Nação Global”, que se realizou entre os dias 29 e 30 de abril, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Emídio Sousa reforçou também a dimensão estratégica da iniciativa, afirmando que “este é o primeiro passo” e que “a plataforma vai ser permanente, não vai terminar aqui, vai continuar”, até porque “o jogo só agora é que está a começar”.
O governante destacou igualmente a natureza participativa e o impacto estrutural do encontro.
“As pessoas inscreveram-se, mas não vieram cá para assistir. As pessoas inscreveram-se e vieram cá para participar”, referiu, considerando que o Fórum vai marcar uma mudança na relação com a diáspora.
“Estamos a marcar um momento na nossa história em que nos vamos relacionar de uma maneira completamente diferente. É isto que aconteceu e é isto que eu espero que vá acontecer”, explicou.
Por fim, Emídio Sousa deixou uma mensagem de reconhecimento e identidade comum dirigida aos participantes, em particular à diáspora portuguesa.
“Quero que sintam que este amor a Portugal é o mesmo que nós somos, gente de talento, nas suas melhores versões”, concluiu.
Para além do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, as intervenções institucionais de encerramento reuniram também o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, e o presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), Luís Miguel Ribeiro.
Paulo Rangel sublinhou a importância de mobilizar a diáspora numa lógica de benefício mútuo, defendendo uma relação económica assente na complementaridade entre Portugal e os portugueses no estrangeiro.
“Há aqui aquilo que se chama de simbiose, uma situação de win-win, quer dizer, todos ganham”, afirmou, acrescentando que deste Fórum resultará “um efeito multiplicador que não deve ser, de maneira nenhuma, desvalorizado”.
O ministro destacou ainda a necessidade de o Estado acompanhar este movimento, defendendo um papel mais ativo da rede diplomática e consular na remoção de obstáculos ao investimento e na facilitação das ligações económicas com Portugal.
Numa abordagem mais conceptual, Paulo Rangel aprofundou o significado da iniciativa, explicando que “quando nós usamos a dimensão global, estamos a dizer que é um Portugal a 360 graus”, integrando não apenas a presença física no mundo, mas também a “dimensão digital” que cada vez mais molda a relação entre o país e a sua diáspora.
Por sua vez, Luís Miguel Ribeiro destacou o espírito de cooperação que o Fórum evidenciou entre entidades públicas e privadas, afirmando que “somos capazes de fazer mais e de fazer melhor”, e deixou uma mensagem de confiança no futuro.
“Os portugueses são o melhor e o maior capital que o país tem”, enfatizou, acrescentando que o país “deve ser capaz de valorizar este ativo estratégico”.
O responsável sublinhou ainda o compromisso de continuidade do projeto, referindo que “vamos, a partir daqui, construir uma rede Portugal Global, uma rede que vai trazer resultados, porque é através dos resultados que nós queremos fazer acontecer”.
Segundo dia do Fórum marcado por debates económicos, investimento e ligação entre diáspora e territórios
O segundo dia do Fórum “Portugal Nação Global”, 30 de abril, iniciou-se com a sessão plenária “Comunidades, Economia e Territórios”, que contou com a participação de Emídio Sousa, João Rui Ferreira, secretário de Estado da Economia, e Silvério Regalado, secretário de Estado das Autarquias Locais e Ordenamento do Território, centrando-se na articulação entre comunidades portuguesas no estrangeiro, desenvolvimento económico e valorização territorial.
Em paralelo, decorreram reuniões empresariais B2B, promovendo encontros diretos entre empresas nacionais e investidores da diáspora, com foco na concretização de parcerias e oportunidades de negócio.
A sessão temática “Desburocratização, Regulamentação e Grandes Acordos Comerciais Internacionais” reuniu Armindo Monteiro (Confederação Empresarial de Portugal), Hélder Sousa Silva (Parlamento Europeu) e Margarida Matos Rosa (ex-presidente da Autoridade da Concorrência), num debate centrado na simplificação administrativa, enquadramento regulatório e impacto dos acordos internacionais na competitividade das empresas.
Seguiu-se a sessão “Medidas de Apoio ao Investimento e Instrumentos Financeiros para o Investidor”, com intervenções de Alexandra Vilela (Compete 2030), Carla Grijó (Global Gateway), Luís Guimarães (Banco Português de Fomento) e Pedro Oliveira (Camões – Instituto da Cooperação e da Língua), dedicada aos instrumentos de financiamento e apoio à internacionalização.
Durante a tarde, a sessão plenária “2026 e além: Oportunidades para Portugal Global” contou com a participação de António Horta-Osório (gestor), António Calçada de Sá (Conselho da Diáspora Portuguesa) e Paulo Rangel, centrando-se nas estratégias de posicionamento internacional de Portugal e no papel da diáspora na captação de investimento e crescimento económico.
O segundo dia terminou com a sessão de encerramento institucional, antecedida por uma atuação de guitarra portuguesa por Mafalda Lemos, consolidando o Fórum como uma plataforma orientada para resultados, assente na mobilização da diáspora e na criação de ligações económicas concretas entre Portugal e o mundo.
Ígor Lopes