A liberdade de imprensa a nível global registou, em 2026, o nível mais baixo dos últimos 25 anos, segundo o mais recente Índice Mundial da Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
Portugal desceu duas posições, fixando-se no 10.º lugar, mantendo ainda um quadro classificado como sólido, apesar de constrangimentos identificados.
Portugal desce duas posições, mas mantém quadro estável
Portugal ocupa agora a 10.ª posição no ranking mundial da liberdade de imprensa, registando uma descida de dois lugares face ao ano anterior. De acordo com a RSF, o país continua a apresentar um ambiente globalmente favorável ao exercício do jornalismo.
Ainda assim, o relatório aponta episódios de pressão e hostilidade sobre jornalistas, incluindo ameaças em contextos políticos e desportivos. Estes fatores, embora não estruturais, são assinalados como elementos de risco no ecossistema mediático nacional.
Mais de metade dos países em situação difícil
Pela primeira vez desde a criação do índice, mais de 50% dos países analisados apresentam condições classificadas como “difíceis” ou “muito graves” para a liberdade de imprensa. A pontuação média global dos 180 países avaliados atingiu o valor mais baixo em 25 anos.
A organização destaca que, desde 2001, tem-se verificado uma expansão de quadros legais restritivos, frequentemente associados a políticas de segurança nacional, que têm contribuído para a erosão do direito à informação, incluindo em regimes democráticos.
Criminalização do jornalismo em crescimento
O indicador jurídico foi o que registou maior degradação em 2026, evidenciando uma tendência global de criminalização do jornalismo. A utilização de legislação para limitar a atividade jornalística, bem como práticas como ações judiciais estratégicas contra participação pública (SLAPPs), são apontadas como mecanismos recorrentes de pressão.
Segundo a diretora editorial da RSF, Anne Bocandé, a deterioração da liberdade de imprensa resulta da ação combinada de Estados autoritários, poderes políticos, interesses económicos e plataformas digitais com regulação insuficiente.
Contexto internacional
No plano global, a Noruega mantém a liderança pelo décimo ano consecutivo, sendo o único país com classificação considerada “excelente”. No extremo oposto, a Eritreia permanece na última posição pelo terceiro ano consecutivo.
Nas Américas, os Estados Unidos desceram sete posições, refletindo um ambiente mais adverso para os media. Em vários países da América Latina, a liberdade de imprensa continua condicionada por contextos de violência e repressão.
A Europa de Leste e o Médio Oriente continuam a ser as regiões mais perigosas para jornalistas. Países como a Rússia e o Irão mantêm posições entre as mais baixas do ranking. Em sentido inverso, a Síria registou a maior subida no índice de 2026, após mudanças no contexto político interno.
APImprensa