As investigações relacionadas com alegadas traições continuam a dominar o mercado dos detetives privados em Portugal, representando cerca de sete em cada dez pedidos de serviços. O fenómeno reflete uma crescente procura por respostas em casos de dúvidas conjugais, num contexto em que a vida digital deixou mais rastos e facilitou a recolha de informação.
O setor tem registado uma evolução positiva, apoiada pelo aumento do recurso a ferramentas digitais e à análise de dados públicos disponíveis online. Redes sociais, aplicações de mensagens e outros conteúdos acessíveis na internet tornaram-se recursos importantes para muitas investigações.
Além de questões sentimentais, os detetives são também contratados para localizar pessoas, verificar situações patrimoniais ou recolher informações úteis em processos judiciais e empresariais, embora estes casos representem uma parcela muito menor da procura.
Os profissionais da área destacam que a investigação privada moderna depende cada vez mais da análise de informação digital e menos dos métodos tradicionais de vigilância. Ainda assim, existem limites legais claros: atividades como escutas telefónicas ou investigações criminais continuam reservadas às autoridades competentes.
As previsões apontam para a continuação do crescimento deste mercado ao longo de 2026, acompanhando a crescente exposição da vida pessoal e profissional nos meios digitais.