UNICEF Portugal apela a donativos urgentes para as crianças de Gaza: “Cada hora de cessar-fogo pode traduzir-se em muitas vidas salvas”.
Na sequência do anúncio do cessar-fogo em Gaza, a UNICEF Portugal apela à solidariedade e à mobilização urgente dos portugueses para apoiar a resposta humanitária que poderá, finalmente, chegar em escala e sem impedimentos à Faixa de Gaza.
Depois de mais de 700 dias de violência, bloqueios e fome, as crianças e as suas famílias em Gaza enfrentam uma crise humanitária sem precedentes. Centenas de milhares de crianças continuam privadas de água potável, comida, cuidados de saúde básicos, educação, e tanto mais, vivendo entre escombros, insegurança e violência constantes.
A UNICEF alerta que as condições no terreno são devastadoras: hospitais danificados e sobrelotados, recém-nascidos a partilhar incubadoras e famílias forçadas a sobreviver em abrigos improvisados, muitas vezes sem saneamento nem acesso a água. “Descalças, famintas e sem abrigo: esta é a realidade brutal imposta às crianças de Gaza”, descreve James Elder, porta-voz da organização.
De acordo com dados da UNICEF e do Ministério da Saúde em Gaza, atualizados a 29 de setembro de 2025, mais de 64 mil pessoas foram mortas, incluindo 19.424 crianças, das quais mais de mil eram bebés com menos de um ano – uma média de 28 crianças mortas por dia nos últimos dois anos, uma turma completa por dia. Mais de 42 mil crianças ficaram feridas ou mutiladas, e um quarto com ferimentos que causam incapacidades permanentes. 56 mil crianças perderam um ou ambos os pais, e cerca de 700 mil continuam privadas de educação. O acesso a água potável é quase inexistente e 44% das consultas médicas estão relacionadas com doenças transmitidas pela água.
A subnutrição infantil atingiu níveis alarmantes, com 13 mil crianças diagnosticadas com subnutrição aguda apenas em julho – seis vezes mais do que no início do ano. Quarenta por cento das mulheres grávidas e lactantes também estão subnutridas, e apenas 14 hospitais permanecem parcialmente funcionais.
Por estas razões, a UNICEF Portugal lança um apelo urgente: A organização necessita de 374 milhões de euros adicionais para ampliar as suas operações e garantir comida (alimentos terapêuticos), água, vacinas, educação, abrigo e apoio psicológico, educação a centenas de milhares de crianças e famílias.
A diretora executiva da UNICEF Portugal, Beatriz Imperatori, afirma que o cessar-fogo é uma boa notícia, mas essencial é agir de imediato, temos que transformar a esperança que mantivemos no acordo em ação no terreno.
“Cada hora de cessar-fogo é uma oportunidade única que não podemos desperdiçar. Depois de tantos meses de sofrimento extremo, este momento deve ser usado para concretizar a ajuda às crianças e às famílias — rapidamente, em segurança e em escala. Esta é uma emergência humanitária sem precedentes, e não podemos permitir-nos ficar aquém do que as crianças em Gaza esperam de nós.”
Com o cessar-fogo em vigor, a UNICEF prepara-se para intensificar uma operação humanitária massiva. Mais de 1.300 camiões com alimentos, vacinas, tendas e medicamentos estão posicionados nos arredores de Gaza, prontos para entrar assim que as condições de segurança o permitam.
A prioridade imediata será garantir acesso sem restrições a todas as crianças e famílias, assegurando alimentação terapêutica, cuidados de saúde, água potável, saneamento, educação e proteção.
É igualmente urgente restaurar os serviços essenciais – nomeadamente os sistemas de saúde, água e saneamento – e revitalizar os mercados e a agricultura local, de modo a reconstruir as bases de sobrevivência das famílias.
A organização planeia ainda duplicar o programa de assistência monetária, passando de seis para cerca de doze milhões de euros por mês a distribuição direta às famílias, para permitir que adquiram bens essenciais à medida que o comércio local é retomado.
A UNICEF apela a que este cessar-fogo se mantenha de forma sustentada e que todas as partes respeitem o Direito Internacional Humanitário, garantindo a proteção de civis, especialmente crianças e de trabalhadores humanitários.