Timor-Leste recebeu a certificação oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS) como país livre de malária, um marco histórico que resulta de mais de duas décadas de combate a uma das doenças tropicais mais letais. O país torna-se assim o terceiro do Sudeste Asiático da OMS a alcançar esta distinção, depois das Maldivas e do Sri Lanka, e soma a segunda vitória em menos de dois anos na área da saúde pública, após a eliminação da filaríase linfática em 2024.
O Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, sublinhou que a conquista “pertence aos profissionais de saúde e a cada família que apostou na prevenção”, recordando que o combate foi feito “aldeia a aldeia, família a família”. Já a Ministra da Saúde, Élia António de Araújo dos Reis Amaral, destacou que a malária foi, durante décadas, um dos maiores desafios sanitários do país, acrescentando que a vigilância e a ação comunitária serão cruciais para manter a certificação.
O processo de certificação exigiu a interrupção sustentada da transmissão autóctone durante, pelo menos, três anos.
Em 2006, Timor-Leste registava mais de 223 mil casos, número que caiu para zero infeções locais em 2021. O feito é considerado notável, tendo em conta as condições tropicais e montanhosas do território, que favorecem a proliferação do mosquito transmissor.
A OMS elogiou a “liderança determinada” e a “resiliência das comunidades”, enquanto parceiros como o Fundo Global garantiram apoio até 2026 para evitar a reintrodução da doença.
O país continuará a aplicar planos nacionais de prevenção e de controlo de doenças transmitidas por vetores, reforçando sistemas de saúde e cooperação regional para assegurar que a malária não volte a ameaçar a população timorense.