O chefe de Estado timorense, José Ramos-Horta, apelou a que prevaleçam “a sanidade, a justiça e a humanidade” no caso do fundador da WikiLeaks e ativista australiano Julian Assange.
“Não comento a substância e o mérito do caso contra Julian Assange. Como pessoa informada e preocupada que valoriza profundamente a liberdade de imprensa, apenas espero que prevaleçam a sanidade, a justiça e a humanidade, e que Assange seja libertado para regressar ao seu país natal, a Austrália”, defendeu Ramos-Horta através de uma mensagem divulgada neste domingo, 25 de fevereiro.
Recorde-se que Assange foi detido pela polícia britânica em 2019, após ter estado sete anos asilado na embaixada do Equador em Londres, para evitar a extradição para a Suécia por acusações de agressão sexual (investigação encerrada em 2019). O ativista encontra-se preso há cinco anos na prisão de alta segurança de Belmarsh, no leste de Londres.
Na passada quarta-feira, 21 de fevereiro, os juízes do Tribunal Superior de Londres terminaram uma audiência de dois dias sobre o pedido de extradição para os Estados Unidos da América (EUA), cuja decisão só deverá ser conhecida após o dia 04 de março.
Os EUA acusam-no de 18 crimes de espionagem e intrusão informática devido às revelações feitas no portal WikiLeaks, que em 2010 e 2011 expôs alegados crimes de guerra nos conflitos do Iraque e do Afeganistão.
“Tantas vidas jovens foram perdidas nas guerras do Iraque e do Afeganistão, de todos os lados envolvidos, tantas mentiras e meias verdades foram ditas por todos os envolvidos, tantos outros ficaram feridos, deficientes e traumatizados. Porquê continuar a atormentar alguém que partilhou comunicações oficiais com o público sem pôr em perigo a vida de ninguém no processo?”, questionou o representante timorense.