O chefe de Estado timorense, José Ramos-Horta, pediu à Comissão da Função Pública (CFP) para reduzir os salários dos funcionários públicos superiores aos do Presidente da República, do primeiro-ministro e dos restantes órgãos de soberania.
“Os salários dos funcionários devem ser mais baixos, não podem ser iguais aos do Presidente da República, do primeiro-ministro, do presidente do Parlamento Nacional ou do presidente do Tribunal de Recurso. Têm de ser mais baixos”, defendeu durante uma visita à CFP, realizada no âmbito da reforma da administração pública timorense em curso.
O governante partilhou a sua surpresa no que diz respeito à apresentação feita pelo presidente da CFP, Agostinho Letêncio de Deus, acerca da racionalização salarial, de acordo com a qual alguns funcionários chegaram a auferir 8.000 dólares mensais (cerca de 6.842 euros), um valor que baixou entretanto para 5.000 (cerca de 4.270 euros).
“Fiquei surpreendido ao ouvir que alguns funcionários recebiam oito mil dólares. Quem são estas pessoas para receberem este montante? Têm responsabilidades superiores às do Presidente ou do primeiro-ministro?”, interrogou Ramos-Horta.
“Quero reunir-me com essas pessoas que recebiam 8.000 dólares. Quero ver os seus currículos e eles podem ver o meu. Isto está totalmente politizado, é um sistema corrupto. Impressionante”, concluiu.
O dirigente mencionou igualmente a existência de assessores com salários entre 13.000 (cerca de 11.100 euros) e 15.000 dólares mensais (cerca de 12.800 euros).