África: Líderes religiosos, sobreviventes e novas leis reforçam combate à mutilação genital feminina

Mais de 230 milhões de mulheres e raparigas em todo o mundo vivem hoje com as consequências físicas e psicológicas da mutilação genital feminina (MGF), uma prática que continua profundamente enraizada em várias regiões de África. Apesar dos esforços internacionais, estima-se que em 2026 cerca de 4,5 milhões de raparigas estejam ainda em risco de serem submetidas ao procedimento, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA).

Um dos principais obstáculos à erradicação da MGF tem sido a crença errónea de que se trata de uma exigência religiosa ou de uma tradição imposta por influências externas. No entanto, líderes religiosos de vários países africanos têm vindo a desmistificar essa narrativa. Em 2025, estudiosos islâmicos do Djibuti, Eritreia e Somália emitiram uma fatwa nacional afirmando que não existe qualquer fundamento religioso que justifique a prática, reforçando o papel da fé como aliada na protecção das raparigas.

O testemunho de sobreviventes tem-se revelado igualmente decisivo na mudança de mentalidades, liderando hoje iniciativas comunitárias de sensibilização. Paralelamente, o reforço da legislação, a educação sexual nas escolas e o envolvimento activo de homens e rapazes têm contribuído para uma redução gradual da prática em vários países.

O UNFPA alerta ainda que a chamada “medicalização” da MGF não elimina os riscos, sublinhando que não existe qualquer justificação médica para o procedimento. A combinação entre leis, esclarecimento religioso e mobilização comunitária é apontada como essencial para garantir que futuras gerações de raparigas cresçam livres desta forma de violência.

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