China e África reforçam aliança mediática para construir uma narrativa comum

China e África concluíram, em Joanesburgo, no dia 14 de Novembro, o Fórum de Alto Nível do Grupo de Especialistas de Média do Sul Global e a Conferência de Parceria China–África, com o compromisso de aprofundar a cooperação mediática e fortalecer a capacidade informativa dos países em desenvolvimento.

O encontro reuniu responsáveis de órgãos de comunicação social, académicos e diplomatas, com o objectivo de promover narrativas mais equilibradas e representativas das realidades locais.

Na sessão de abertura, Liu Hua, Director-Geral e Editor-Chefe da agência Xinhua, destacou que os média do Sul Global devem assumir um papel activo na reforma da ordem informativa mundial. Sublinhou que, durante décadas, a imagem de África e da Ásia foi construída a partir de perspectivas externas, e que fóruns como este permitem corrigir estereótipos e reforçar a capacidade de “contar histórias a partir das próprias realidades locais”. Acrescentou ainda que a cooperação China–África assenta no respeito mútuo e visa fortalecer a profissionalização, a cooperação tecnológica e a interligação entre órgãos de comunicação.

Por sua vez, Iqbal Servé, presidente do grupo sul-africano Independent Media, defendeu que a união dos média do Sul Global é essencial para redefinir o papel destas regiões na governação mundial. Afirmou que a parceria com a Xinhua tem permitido aos média africanos “reclamar o seu lugar legítimo” na construção das narrativas globais, salientando que a maioria da população mundial pertence ao Sul Global, um factor que confere a estas regiões um papel transformador crescente, desde que haja maior cooperação internacional.

Também Leslie Richer, Directora de Informação e Comunicação da União Africana, afirmou que África vive um momento decisivo para influenciar os debates globais e avançar para uma representação mais justa nas instituições internacionais. Sublinhou que os média desempenham um papel central nesta dinâmica, ao moldarem percepções, fortalecerem identidades e criarem bases para uma integração mais sólida nos assuntos mundiais.

Segundo os organizadores, a cooperação China–África na área da comunicação será um instrumento fundamental para construir um sistema informativo internacional mais equilibrado, assente em estratégias conjuntas, capacitação profissional e uma presença mais activa do Sul Global no panorama mediático mundial.

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