Namíbia: FMI alerta para riscos económicos

Um relatório preliminar do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado na semana passada indica que o crescimento económico da Namíbia desacelerou para 1,7% em 2025 e deverá manter-se contido em 2026, devido à fraca procura de diamantes e à reconstrução do setor pecuário após a seca de 2024. A missão do FMI, liderada por Xiangming Li, visitou Windhoek entre 16 e 20 de março para a consulta anual do Artigo IV.

O FMI destaca que a inflação registou abrandamento em 2025, atingindo 2,4% em fevereiro de 2026, mas os preços crescentes dos combustíveis poderão pressionar a inflação durante o ano. O défice da conta corrente melhorou ligeiramente, de 15,2% do PIB em 2024 para 13,2% em 2025, sustentado por exportações de urânio e ouro, mas a Namíbia continua dependente de importações relacionadas com investimentos estrangeiros em exploração petrolífera e mineração.

A guerra em curso no Médio Oriente representa um risco significativo para a economia namibiana, podendo afetar a procura global e gerar volatilidade nos preços das commodities, incluindo combustíveis e fertilizantes. O FMI alerta ainda que a procura mundial por diamantes naturais permanece fraca, o que poderá atrasar a recuperação económica.

Em termos fiscais, o défice deverá ter aumentado significativamente em 2025/26, principalmente devido à queda das receitas da União Aduaneira da África Austral (SACU). O orçamento de 2026/27 prevê consolidação fiscal através da reforma do regime de saúde dos funcionários públicos (PSEMAS), redução de transferências a empresas públicas e contenção de despesas correntes. O FMI recomenda medidas concretas para alcançar excedentes primários sustentáveis e manter a dívida pública sob controlo.

O Banco da Namíbia manteve a taxa de política monetária em 6,5% em fevereiro, com ligeira aceleração do crédito à economia para 4,4% em 2025. O sistema bancário permanece líquido e capitalizado, com empréstimos não produtivos a 4,3%. O FMI aconselha vigilância apertada face à volatilidade global e à necessidade de alinhar a política monetária com o Banco da Reserva da África do Sul.

A missão sublinha ainda a importância de reformas estruturais, incluindo simplificação de processos administrativos, implementação de políticas de conteúdo local, digitalização do governo e alinhamento da educação com as necessidades do mercado de trabalho, de modo a estimular a diversificação económica e a criação de emprego.

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