O governo de Ruanda liderado pelo Paul Kagame, determinou o encerramento de aproximadamente 10 mil igrejas em todo o país, numa ampla operação regulatória baseada na Lei de 2018 que estabelece regras rigorosas para o funcionamento de organizações religiosas.
A medida afecta sobretudo igrejas evangélicas e pentecostais que, segundo as autoridades, não cumprem exigências previstas na legislação.
Uma das cláusulas determina que os locais de culto atendam a padrões mínimos de segurança e higiene, apresentem relatórios anuais de actividades e de finanças, além de exigir que líderes religiosos possuam formação teológica formal reconhecida.
De acordo com o governo, muitos dos espaços fechados operavam sem licenças válidas ou em condições consideradas inadequadas para receber fiéis.
Paul Kagame tem sido um crítico contundente da proliferação de igrejas no país e de classificar alguns movimentos religiosos como exploradores económicos à pessoas vulneráveis.
“Se dependesse de mim, eu não reabriria sequer uma única igreja”, afirmou Kagame durante uma conferência de imprensa onde reforçou a linha dura do Executivo contra as igrejas.
Entretanto, analistas políticos e organizações da sociedade civil do Ruanda, avaliam que a repressão às igrejas vai além de preocupações com segurança pública como alega o executivo de Paul Kagame.
Para esses críticos, a iniciativa também reflecte o desejo do partido governante, a Frente Patriótica Ruandesa (FPR), de limitar a influência social de grupos que actuam fora das estruturas estatais.