Sudão enfrenta agravamento da crise alimentar com 19,5 milhões em insegurança alimentar aguda, alertam agências da ONU

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o UNICEF alertaram na passada quinta-feira que cerca de 19,5 milhões de pessoas no Sudão enfrentam níveis críticos de insegurança alimentar aguda. O dado corresponde a quase dois quintos da população e confirma a continuidade de uma das maiores crises humanitárias do mundo.

De acordo com a mais recente análise da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC), cerca de 5 milhões de pessoas encontram-se em situação de emergência (Fase 4), enquanto aproximadamente 14 milhões estão em crise (Fase 3). Embora não tenham sido confirmadas áreas em fome extrema (Fase 5), os peritos alertam que dezenas de milhares de pessoas permanecem em risco iminente, sobretudo em regiões de Darfur e Kordofan do Sul.

A situação nutricional é considerada particularmente grave. Estima-se que 825.000 crianças menores de cinco anos poderão sofrer de desnutrição aguda grave em 2026, um aumento face aos anos anteriores. Só nos primeiros meses do ano, dezenas de milhares de crianças já foram internadas em centros de tratamento, muitas em estado crítico devido à falta de alimentação adequada.

O conflito prolongado, que já entrou no quarto ano, continua a provocar deslocamentos em massa, com cerca de nove milhões de pessoas forçadas a abandonar as suas casas. A destruição de infraestruturas essenciais, incluindo hospitais, sistemas de água e mercados, agravou o acesso a alimentos e serviços básicos, enquanto surtos de doenças como cólera e sarampo intensificam a vulnerabilidade das populações.

As agências da ONU sublinham ainda que o acesso humanitário continua severamente limitado e que apenas uma parte dos fundos necessários para 2026 foi assegurada. Perante este cenário, FAO, PMA e UNICEF apelam ao cessar imediato das hostilidades, ao reforço do financiamento internacional e à garantia de acesso humanitário sem restrições, alertando que, sem ação urgente, a crise poderá agravar-se de forma irreversível.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subescreve a Newsletter

Artigos Relacionados

RD Congo: Crise alimentar agrava-se e já afecta mais de 26 milhões de pessoas

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação...

0

ONU lança plataforma para identificar falhas de proteção em rotas migratórias da África Ocidental

A Organização Internacional para as Migrações (OIM), o...

0

Nigéria: Diocese de Kafanchan anuncia libertação de sacerdote após três meses de cativeiro

O Padre Nathaniel Asuwaye foi libertado na passada...

0