Um novo relatório das Nações Unidas revelou, esta quinta-feira, detalhes chocantes sobre violência sexual dirigida e execuções sumárias na região do Darfur do Norte, no Sudão, atribuídas às Forças de Apoio Rápido (RSF). Segundo o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), os abusos ocorreram durante ofensivas contra civis deslocados, nomeadamente no campo de Zamzam, perto da cidade de El Fasher, no contexto do conflito armado que assola o país desde abril de 2023.
De acordo com o relatório, mais de mil civis terão sido mortos apenas durante o ataque ao campo de Zamzam, em abril deste ano, incluindo 319 pessoas executadas sumariamente em casas, mercados, escolas, unidades de saúde e locais de culto. O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, sublinhou que estes atos poderão constituir crimes de guerra, alertando que “o mundo não pode ficar a assistir enquanto esta crueldade se torna normalizada”.
O documento aponta ainda para pelo menos 104 vítimas de violência sexual grave, incluindo mulheres, raparigas e rapazes, maioritariamente da etnia zaghawa. Os testemunhos recolhidos indicam a prática de violações, violações coletivas e escravatura sexual, numa estratégia que, segundo a ONU, terá sido deliberadamente usada para espalhar terror entre a população civil deslocada.
As conclusões baseiam-se em missões de monitorização dos direitos humanos e em entrevistas realizadas a 155 vítimas e testemunhas que fugiram para o Chade. Volker Türk apelou à realização de uma investigação imparcial e eficaz e defendeu que todos os responsáveis por violações graves do direito internacional humanitário sejam levados à justiça, através de processos justos e credíveis.