Dois anos após o início do conflito armado no Sudão, o país enfrenta a maior crise de deslocados do mundo, com mais de 12 milhões de pessoas forçadas a fugir de suas casas. No centro dessa catástrofe humanitária, as mulheres e meninas estão entre as principais vítimas, enfrentando níveis extremos de violência, incluindo um aumento de 288% nos casos documentados de violência sexual entre dezembro de 2023 e dezembro de 2024, segundo uma missão de investigação da ONU.
A situação é particularmente grave em regiões como Darfur e a fronteira com o Chade, onde o sequestro, a escravidão sexual e os casamentos forçados tornaram-se práticas sistemáticas de humilhação e dominação. O estigma social impede muitas vítimas de denunciarem os abusos, agravando o sofrimento físico e psicológico.
Apesar da tragédia, as mulheres sudanesas continuam a mostrar resiliência e liderança, muitas vezes atuando como voluntárias, empreendedoras e líderes comunitárias. Organizações locais apoiadas pelo Fundo para a Paz e pela ONU estão a fornecer apoio psicológico, abrigo e meios de subsistência a sobreviventes, mas alertam que a ajuda internacional permanece insuficiente face à dimensão da crise.
A ONU reitera a necessidade urgente de proteção das mulheres e meninas, de justiça para as vítimas e de pressão internacional para pôr fim ao conflito.