A administração do presidente Donald Trump apresentou no domingo um novo pedido a um tribunal de recurso federal para demitir Lisa Cook do Conselho de Governadores da Reserva Federal, numa medida inédita na história da instituição. O objetivo é consumar a saída da governadora antes da próxima reunião sobre as taxas de juro.
Os advogados da Casa Branca argumentaram que a permanência de Cook não tem fundamento legal e que o presidente tem autoridade para a afastar “por justa causa”. O governo baseia-se em alegações de que a economista terá prestado informações contraditórias sobre propriedades imobiliárias em formulários oficiais, o que poderia configurar fraude hipotecária.
Cook, a primeira mulher negra a integrar a direção da Fed, rejeita as acusações, sustentando que uma das casas foi descrita como residência secundária e não principal. No sábado, a sua defesa alertou para os riscos de permitir que um presidente demita membros do banco central sem fundamento adequado, sublinhando a importância da independência da instituição para a estabilidade económica.
Na semana passada, um juiz federal considerou ilegal o afastamento decidido pela Casa Branca e ordenou a reintegração de Cook. O governo recorreu, pedindo uma decisão de emergência antes da reunião do banco central marcada para esta semana, onde se prevê uma possível redução da taxa diretora em 0,25 pontos percentuais.
Se o tribunal der razão a Trump, será a primeira vez em 112 anos que um presidente consegue afastar um governador da Reserva Federal, abrindo um precedente de grande impacto sobre a autonomia do banco central norte-americano.