A ONU Direitos Humanos alertou que a Colômbia continua a ser um dos países mais perigosos do mundo para defensores dos direitos humanos, com quase 100 assassinatos por ano. De acordo com um relatório divulgado esta quinta-feira, foram registadas 972 mortes entre 2016 e 2025, evidenciando a persistência de níveis elevados de violência no país.
O Alto Comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou a situação como “desgarradora”, apesar de reconhecer esforços do Governo colombiano, como o reforço do diálogo com a sociedade civil e a implementação de medidas de proteção. Ainda assim, o relatório sublinha que estas ações não têm sido suficientes para travar a violência nem para ultrapassar problemas estruturais como a impunidade, a corrupção e a fragilidade institucional.
Segundo o documento, a violência está fortemente ligada a atividades criminosas como o narcotráfico, a mineração ilegal, a exploração florestal e o tráfico de pessoas, sobretudo em territórios anteriormente controlados pelas FARC-EP após o Acordo de Paz na Colômbia de 2016. Mais de 70% dos ataques são atribuídos a grupos armados não estatais, num contexto em que o Estado continua a ter dificuldades em garantir presença e segurança em várias regiões.
O impacto é particularmente grave entre os povos indígenas, que representam 23% das vítimas, apesar de constituírem menos de 5% da população. Entre 2022 e 2025, foram assassinados 410 ativistas, tendo sido ainda registados mais de dois mil casos de ameaças e ataques.
A ONU apela a medidas urgentes, incluindo reformas institucionais, investigações eficazes e mecanismos de proteção adaptados, alertando que, sem uma resposta estruturada, a violência deverá continuar a agravar-se.