ONU pede investigação de crimes em massa no Haiti após ataque que matou 47 pessoas

As Nações Unidas pediram uma investigação dos crimes em massa cometidos no Haiti, depois de um novo ataque de grupos armados que terá provocado pelo menos 47 mortos nos arredores de Porto Príncipe. O ataque ocorreu na noite de domingo, 23 de agosto, na comuna de Kenscoff, onde várias pessoas terão sido assassinadas, algumas queimadas vivas, numa nova escalada da violência que afeta a população haitiana.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou o ataque e defendeu um reforço urgente das operações de segurança, tanto por parte das autoridades haitianas como da comunidade internacional. Segundo informações divulgadas pelas Nações Unidas, suspeita-se que 22 pessoas tenham sido executadas numa igreja onde procuraram abrigo durante a ofensiva dos grupos armados. Casas e locais de culto foram igualmente incendiados e foram registadas alegadas operações com drones.

Guterres apelou às autoridades haitianas para que garantam a responsabilização dos autores dos crimes, nomeadamente através das unidades judiciais especializadas recentemente criadas com apoio internacional para investigar massacres e outros crimes graves. A ONU considera que a dimensão e a continuidade da violência exigem uma resposta de segurança acompanhada por mecanismos eficazes de justiça e responsabilização.

A situação é agravada pela violência sexual e pelos sequestros. De acordo com o mais recente relatório trimestral da ONU sobre direitos humanos, pelo menos 796 pessoas foram vítimas de violação entre abril e junho, sendo que 87% dos casos registados corresponderam a violações coletivas. No mesmo período, pelo menos 81 pessoas foram sequestradas por grupos armados para exigir resgates, com a maioria dos casos concentrada nos departamentos do Oeste e de Artibonite.

As operações das forças de segurança terão conseguido travar parcialmente o avanço das gangues na região metropolitana de Porto Príncipe, mas a pressão sobre os grupos armados contribuiu para a deslocação de parte da violência para outras regiões. A ONU alerta para o agravamento da situação em Artibonite e no Sudeste, enquanto o departamento do Centro permanece instável devido à presença de grupos armados, aumentando o número de pessoas obrigadas a abandonar as suas casas em busca de segurança.

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