José “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai e ícone da esquerda latino-americana, faleceu esta terça-feira, 13 de maio de 2025, aos 89 anos, na sua chácara em Rincón del Cerro, nos arredores de Montevidéu.
A notícia foi confirmada pelo atual presidente uruguaio, Yamandú Orsi, que declarou três dias de luto nacional em homenagem ao líder. Mujica enfrentava um cancro do esôfago desde abril de 2024, que evoluiu para metástases no fígado. Em janeiro deste ano, ele anunciou publicamente que tinha decidido interromper os tratamentos médicos: “Estou a morrer. O guerreiro tem direito ao seu descanso”.
Ex-guerrilheiro tupamaro, Mujica passou quase 14 anos preso durante a ditadura militar uruguaia. Após a sua libertação em 1985, iniciou uma carreira política pelo partido Frente Ampla, chegando à presidência do país entre 2010 e 2015. Durante o seu mandato, implementou reformas progressistas, como a legalização do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo e da cannabis, além de promover políticas de redistribuição de rendimento e incentivo às energias renováveis . Conhecido por seu estilo de vida austero, Mujica doava a maior parte de seu salário presidencial e residia numa modesta chácara, o que lhe rendeu o apelido de “o presidente mais pobre do mundo”.
A morte de Mujica gerou comoção internacional. Líderes como Gabriel Boric (Chile), Gustavo Petro (Colômbia), Claudia Sheinbaum (México) e Pedro Sánchez (Espanha) expressaram condolências, destacando o seu legado de humildade, integridade e compromisso com a justiça social. O funeral de Estado está previsto para esta quarta-feira, 14 de maio, em Montevidéu, com cortejo fúnebre e homenagens públicas. Pepe Mujica deixa como legado uma trajetória marcada pela coerência ética, simplicidade e dedicação à construção de um mundo mais justo.