O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos alertou que a recente ação militar dos Estados Unidos na Venezuela pode piorar ainda mais a já frágil situação dos direitos humanos no país.
Em declarações feitas esta terça-feira em Genebra, o alto comissário Volker Türk manifestou “profunda preocupação” com as consequências da operação norte-americana, sublinhando que violações cometidas pelo governo venezuelano não podem ser resolvidas através de uma intervenção militar unilateral contrária ao direito internacional.
A porta-voz do Alto Comissariado, Ravina Shamdasani, afirmou que a ação dos EUA tornou “todos os Estados menos seguros” e considerou que o recurso à força viola princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas, nomeadamente o respeito pela soberania e pela integridade territorial dos Estados. Segundo a ONU, a responsabilização por abusos de direitos humanos deve ocorrer por vias legais e multilaterais, alertando que a instabilidade e a crescente militarização podem agravar as condições de vida da população venezuelana.
O alerta surge num contexto humanitário já crítico, com cerca de 8 milhões de venezuelanos — um em cada quatro — a necessitarem de assistência, após anos de crise económica, repressão e instabilidade política. As Nações Unidas reforçam que o futuro da Venezuela deve ser decidido exclusivamente pelo seu povo, com pleno respeito pelos direitos humanos, pela autodeterminação e pelo direito internacional, apelando à contenção e ao envolvimento diplomático da comunidade internacional.