O número de portugueses e lusodescendentes mortos devido aos sismos na Venezuela subiu para 60, segundo o mais recente balanço divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal, havendo 87 desaparecidos.
De acordo com o MNE, estão “desaparecidos ou incontactáveis” 87 portugueses ou lusodescendentes, dos quais 51 são homens e 36 são mulheres.
Segundo estes dados divulgados, ontem, segunda-feira à noite, entre os 60 mortos, 53 dos quais tinham também nacionalidade venezuelana, estão dez crianças e 50 adultos.
O anterior balanço, divulgado na segunda-feira à tarde, dava conta de 56 portugueses e lusodescendentes entre as vítimas mortais do duplo sismo que atingiu a Venezuela.
Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 1.719 mortos e 5.034 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, além do Brasil, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, uma zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes.
O Governo de Portugal mantém respostas em várias frentes no terreno. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, assegurou que o Executivo está a acompanhar permanentemente a evolução da situação, disponibilizou uma força nacional de emergência com 50 operacionais especializados em busca, salvamento e primeira intervenção, e confirmou a participação portuguesa no mecanismo europeu de proteção civil, em articulação com a União Europeia.
Ao nível consular, a Embaixada de Portugal em Caracas e a rede de consulados permanecem mobilizadas para prestar apoio aos cidadãos portugueses, disponibilizando canais de emergência para assistência e localização de pessoas afetadas, enquanto prossegue a coordenação diplomática com as autoridades venezuelanas e os parceiros internacionais envolvidos na resposta humanitária.
Brasil confirma duas vítimas mortais na Venezuela
O Governo do Brasil confirmou a morte de dois cidadãos brasileiros na sequência dos fortes sismos que atingiram a Venezuela.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, as duas vítimas mortais são Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, natural do Distrito Federal, que vivia há cerca de dois meses na Venezuela e se encontrava em La Guaira, uma das zonas mais afetadas pelos sismos, e Romildo Batista de Lima, de 69 anos, pastor natural de Uberlândia, no estado de Minas Gerais. Segundo a família, Romildo foi atingido pelo desabamento de uma parede enquanto tentava proteger-se juntamente com a esposa. Ambos chegaram a ser resgatados, mas o pastor não resistiu aos ferimentos. O Governo brasileiro informou que está a prestar assistência consular às famílias das vítimas.
Até ao momento, não existe confirmação oficial de cidadãos brasileiros entre as cerca de 50 mil pessoas dadas como desaparecidas pelas autoridades venezuelanas e pelas Nações Unidas.
Paralelamente, a Força Aérea Brasileira (FAB) repatriou 13 cidadãos brasileiros que se encontravam na Venezuela e que solicitaram apoio à Embaixada do Brasil em Caracas, após o encerramento do aeroporto comercial da capital venezuelana. Os brasileiros regressaram ao Rio de Janeiro a bordo da mesma aeronave que transportou ajuda humanitária para o país vizinho. Inicialmente, estava previsto o embarque de 15 cidadãos, mas apenas 13 viajaram, segundo o Ministério das Relações Exteriores.
A resposta brasileira à emergência humanitária já mobilizou quatro voos da FAB para a Venezuela. A mais recente missão transportou bombeiros, médicos, equipamentos de saúde e de busca e salvamento. No conjunto da operação, o Brasil enviou 71 bombeiros, quatro especialistas da Defesa Civil, um hospital de campanha operado por 48 militares da Marinha, 100 purificadores de água e mais de 100 mil medicamentos e outros consumíveis médicos.
A missão brasileira integra ainda profissionais da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, militares dos Corpos de Bombeiros dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, bem como especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Entre os materiais enviados encontram-se equipamentos para a instalação do hospital de campanha, sistemas de purificação de água alimentados por energia solar, medicamentos e material cirúrgico.
Entretanto, as operações internacionais de socorro continuam a ser reforçadas. Segundo o Governo venezuelano, mais de 1.600 operacionais estrangeiros já chegaram ao país para apoiar as equipas locais de resgate, estando previstos novos voos com pessoal especializado e ajuda humanitária nas próximas horas, numa tentativa de localizar sobreviventes e responder às necessidades das populações afetadas.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.
Ígor Lopes