China está a aumentar significativamente a sua influência sobre a economia da Rússia, num contexto em que as sanções ocidentais impostas devido à guerra na Ucrânia reduziram drasticamente o acesso de Moscovo aos mercados e tecnologia do Ocidente.
Desde 2022, o comércio entre os dois países intensificou-se. A Rússia passou a exportar grandes volumes de petróleo, gás e carvão para a China, frequentemente com descontos elevados, enquanto Pequim se tornou o principal fornecedor de máquinas, eletrónica e tecnologia que antes vinham da Europa e dos Estados Unidos.
Segundo a reportagem, esta relação tornou-se cada vez mais desigual: embora a Rússia continue a vender energia, depende cada vez mais da China para bens industriais, tecnologia e até componentes de uso dual com aplicação militar.
Outro ponto relevante é a substituição progressiva do dólar e do euro por transações em yuan e rublos, com mais de 99% do comércio bilateral já realizado nas moedas nacionais. Isto reforça a ligação financeira de Moscovo ao sistema económico chinês.
A dependência tecnológica também aumentou. Estima-se que a China forneça a maior parte dos equipamentos sancionados que a Rússia já não consegue importar do Ocidente, ajudando a sustentar a sua indústria militar e a chamada “economia de guerra”.
Apesar de a parceria ser apresentada como estratégica, analistas citados no texto alertam que o desequilíbrio está a crescer e pode deixar Moscovo cada vez mais vulnerável às condições impostas por Pequim nos próximos anos.