O Banco do Japão elevou a taxa de juro de curto prazo para 0,75%, o valor mais alto em cerca de 30 anos, sinalizando que o ciclo de normalização monetária deverá continuar. O governador Kazuo Ueda deixou claro que manter taxas demasiado baixas por mais tempo poderá exigir subidas mais fortes no futuro.
Esta mudança preocupa os mercados globais, já que o Japão é o maior credor líquido do mundo. Durante décadas, os juros muito baixos levaram investidores japoneses a aplicar capitais em obrigações estrangeiras, sobretudo nos EUA e na Europa. Com o aumento dos rendimentos domésticos, cresce o risco de repatriamento de capital, reduzindo a procura por dívida internacional.
Os efeitos já começam a notar-se, com a subida dos rendimentos das obrigações europeias e a compressão dos diferenciais face à dívida japonesa. Além disso, o enfraquecimento do carry trade em ienes pode provocar ajustamentos bruscos nos mercados financeiros.
Embora as subidas devam ser graduais, a mensagem do BoJ é clara: o Japão deixou de ser o principal pilar de juros ultra-baixos, com potenciais impactos na estabilidade dos mercados obrigacionistas globais.